Como é feito um transplante facial?

Como é feito um transplante facial?

Atualizado: Quinta-feira, 28 Abril de 2011 as 10:17

A cirurgia é feita conectando vasos e nervos da   face   do doador e o sistema do receptor. "Somente seis cirurgias foram feitas até hoje, na França, na China e nos Estados Unidos. E em nenhuma delas foi transplantada uma   face   inteira", afirma Romeu Fadul, cirurgião plástico do Hospital Sírio-Libanês. A penúltima operação   do tipo, realizada em uma americana que levou um tiro do marido no rosto , é considerada a mais complexa já feita, pois transplantou até mesmo porções de osso e durou 22 horas. No Brasil, o procedimento ainda está em fase de estudos e é testado somente com   transplante   entre cadáveres. E, ao contrário do filme A Outra   Face , em que Nicolas Cage e John Travolta trocam de rosto , o receptor continua com a   face   parecida com a que tinha antes.

A outra   face

Transplante   liga vasos sanguíneos e nervos do   rosto   do doador ao receptor

1. O primeiro passo do   transplante   é procurar um doador com características semelhantes às do receptor: mesmo tipo sanguíneo e fator Rh, idade e físico parecidos. Além disso, o doador tem que ter tido morte cerebral nas duas horas anteriores à cirurgia e a família dele precisa autorizar a doação expressamente

2. A   face   é "desconectada" do doador cortando os nervos primeiro. Depois, presilhas chamadas clamps microcirúrgicos são colocadas nos vasos para evitar que o sangue escorra - só então veias e artérias são cortadas. Elas são deixadas por último para que a   face   não fique muito tempo sem sangue, o que prejudicaria o fluxo sanguíneo no receptor

3. Diferentemente do enxerto, que transfere somente pele, nessa cirurgia toda a face   é transplantada, formando uma "máscara" que é retirada do doador, com uma camada de gordura, outra de músculos e toda a rede de vasos e nervos. Em alguns casos, até mesmo porções de osso são transferidas

4. Como é arriscado e complicado, o   transplante   de   face   não deve ser feito a torto e a direito. Os candidatos a receptor devem ter problemas específicos, como grandes queimaduras, doenças congênitas, câncer de pele avançado ou traumas profundos, como afundamento do crânio. Em casos mais simples, como perda de pele por tumores, recomenda-se apenas o enxerto

5. Duas equipes médicas trabalham simultaneamente: enquanto uma retira a face   do doador, outra já vai preparando o receptor, anestesiando e ajustando os vasos e nervos que serão conectados à nova   face   para que a troca seja feita o mais rápido possível. Geralmente as equipes são compostas de enfermeiros, cirurgião plástico, anestesista e microcirurgião

6. A cirurgia começa com a reconexão dos vasos sanguíneos. Em um transplante   completo, são religados os troncos principais da artéria carótida externa, da veia jugular interna e dos nervos infra e supraorbital, mentual, grande auricular e facial. Em transplantes parciais, cada ramificação é religada com ajuda de lentes ou microscópio

7. Os nervos são conectados com pontos na capa (o tubo na parte de fora do nervo), mas, por dentro, as partes que fazem a transmissão do impulso elétrico continuam separadas. O transplantado acaba ficando com a cara "caída", já que não consegue movimentar o   rosto . Por isso, depois da   operação , ele recebe pequenos choques para estimular os nervos

8. Depois de costurar vasos e nervos, a   face   é afixada com pontos no crânio. A complexidade do procedimento pode ser medida em horas. Para ter uma ideia, apenas a etapa de retirar a   face   do doador dura cerca de quatro horas e meia, e a colocação no receptor, em torno de cinco horas

• Cada tronco dos vasos tem espessura média de 0,5 cm, e os nervos, de 2 a 4 mm

• Lentes ampliam 4x e os microscópios, 40x

• Estudos recentes mostram que uma injeção de células da medula do doador na corrente sanguínea do receptor diminuem a rejeição

Cara nova, vida nova

Depois da cirurgia, transplantado tem que ter paciência para recuperar movimentos

ARTE FINAL

Depois de seis meses a um ano de muita fisioterapia, o paciente começa a recuperar os movimentos e a sensibilidade. Só então é hora de avaliar a estética e verificar se o   rosto   ficou harmonioso. Se necessário, ele volta para a faca e são feitas cirurgias de correção

INIMIGO ÍNTIMO

Como a   face   de outra pessoa é um   corpo   estranho, o transplantado precisa tomar para sempre drogas que enfraquecem o sistema imunológico, impedindo-o de lutar contra o novo   rosto . Assim, o paciente fica mais suscetível a infecções e câncer de pele.  

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