Como esquecer os problemas e ter uma boa noite de sono

Como esquecer os problemas e ter uma boa noite de sono

Atualizado: Terça-feira, 27 Maio de 2008 as 12

Depois de um longo dia de stress e trabalho, a grande maioria das pessoas  aguarda ansiosa pelo momento de chegar em casa, tomar um bom banho, deitar na cama e dormir o sono dos justos para recarregar as energias necessárias para viver o novo dia. Apesar do cansaço, muitas não conseguem se desligar das preocupações e passam a noite inteira sem dormir, ligadas nos problemas, conflitos e pensamentos indesejáveis. A importância dos fatores psicológicos e comportamentais na insônia é o objeto de uma pesquisa da Unifesp ? Universidade Federal de São Paulo.,

"As pessoas não dormem porque ficam pensando nos problemas. Estes pensamentos as deixam ansiosas e, ao invés de relaxar, elas acendem e, por estarem tensas, não conseguem dormir", avalia a pesquisadora Yara Fleury van der Molen, coordenadora da pesquisa, que tem sido o ponto de partida para o desenvolvimento e avaliação de várias intervenções sem o uso de medicamentos para tratamento clínico da insônia. "Nosso trabalho é focado também em ensinar as pessoas o que fazer em relação à preocupação", completa.

Como a preocupação é um fator central na manutenção da insônia, a pesquisa da Unifesp,  que tem o aval do Comitê de Ética em Pesquisa e é orientada pelo Dr. Gilmar F. do Prado, propõe um ensaio clínico com tratamento não medicamentoso em grupo para a insônia que, a partir da avaliação dos hábitos diários dos pacientes, aplica diversas técnicas, incluindo relaxamento, respiração profunda, treinamento com imagens mentais,  técnicas de distração da atenção e reestruturação de conhecimentos sobre o sono, entre outros recursos.

Todas essas técnicas buscam diminuir o tempo necessário para dormir e para voltar a dormir no meio da noite, após despertares. "Normalmente as pessoas tomam remédio para dormir, mas como a insônia é um mal crônico e o remédio não deve ser tomado para sempre, sentimos a necessidade de desenvolver alternativas de tratamento", observa a pesquisadora da Unifesp.

Uma teoria recente aponta para uma interação de hiper-ativação e maus hábitos adquiridos com insônia. Pacientes insones tendem a apresentar estimulação crônica aumentada do sistema nervoso, seja somática (tensão muscular, inquietação) ou mais freqüentemente excitação mental (preocupação, pensamentos desenfreados). "Um dos atributos identificados como necessários para o sono adequado é uma habilidade para relaxar e reduzir a hiper-ativação mental e corporal, fatores que podem ser alcançados através dastécnicas aplicadas na nossa pesquisa", observa Yara Fleury.

"Estudos realizados com as 24 pessoas que compuseram uma das turmas da pesquisa mostraram que o paciente típico com insônia persistente tem uma redução do principal sintoma: o tempo que demora para dormir. A duração do sono também é aumentada, assim como a qualidade do sono e a satisfação do paciente com seu padrão de sono. As melhoras obtidas com estas intervenções são sustentadas por, pelo menos, seis meses após o término do tratamento", festeja a pesquisadora. A pesquisa de Yara Fleury confirmou que a insônia é um mal que atinge, preferencialmente, pessoas acima dos 50 anos de idade, e em sua maioria mulheres.

Os benefícios de uma noite bem dormida

 

Cansaço e mau humor talvez sejam os "efeitos colaterais" mais conhecidos da insônia, porém a lista de implicações físicas, emocionais e psicológicas, bem como o impacto destas noites em claro na vida de uma pessoa é muito mais extensa. "Quem dorme mal passa a sofrer com perda de concentração e excessiva sonolência diurna, além disso, tem a produtividade diminuída, maior irritabilidade, maior risco de acidentes com veículos e máquinas, sem falar no imenso prejuízo social e material", enumeraYara Fleury.

Em contrapartida, estudos comprovam que quem tem sono adequado conta com benefícios como uma melhor qualidade de vida e menor risco para várias doenças, entre elas a depressão, a hipertensão e o AVC (Acidente Vascular Cerebral).   

veja também