Confira oito dúvidas comuns sobre ginecologia

Confira oito dúvidas comuns sobre ginecologia

Atualizado: Sexta-feira, 29 Outubro de 2010 as 9:21

O uso de um determinado medicamento impede a gravidez? Ter corrimento é normal? E sentir muitas cólicas? Sangramento fora da menstruação é sinal de doença? A laqueadura é reversível?

Essas são algumas das perguntas mais comuns que as pacientes fazem nas consultas. Selecionei dez questões frequentes, com meus comentários. São esclarecimentos que, muitas vezes, ajudam outras mulheres e as encorajam a enfrentar seus problemas.

Mas vale lembrar que, de maneira geral, o que aconselho às pacientes é sempre levar suas dúvidas à ginecologista que as acompanha. Temos de ter em mente que um determinado problema, por mais "comum" que possa parecer, deve ser tratado individualmente, pois o tratamento deve levar em conta o histórico de cada mulher.

Vamos às dúvidas:

1) Qual a chance da mulher engravidar tomando Zoladex®?

O acetato de gosserrelina, nome genérico da medicação citada, é um medicamento que tem o efeito de provocar uma menopausa artificial. A chance de uma mulher engravidar após a menopausa é muito baixa, praticamente nula. Mas não se pode afirmar que seja de 100%. Portanto, há alguma chance.

2) Estou com 23 anos e nunca tenho relação sexual. Há muitos anos me acompanha um corrimento de cor amarelada e de consistência gelatinosa. Minha menstruação não é regular - vem a cada dois ou três meses e dura bastante, cerca de oito dias. Tenho também muitos pelos pelo corpo. O que posso fazer?

Qualquer corrimento deve ser investigado, pois pode ser tanto uma secreção vaginal normal, como uma doença sexualmente transmissível (DST). Quanto à menstruação, recomendo que anote os dias em que começa e os dias em que termina. Esses dados ajudam a ginecologista a identificar o problema na próxima consulta. A quantidade de pelos no corpo pode ser um padrão familiar, mas, dependendo das áreas onde ocorrem em maior quantidade, pode ser indício de alteração hormonal. O mais importante é que agende uma consulta com sua ginecologista o quanto antes para ser avaliada, tratada (se houver necessidade) e para esclarecer todas as suas dúvidas.

3) Tenho 33 anos tive três filhos. O último parto foi cesária, pois era meu segundo casamento e, como eu já tinha dois filhos da primeira união, não queria mais engravidar ? por isso, liguei as trompas. Mas meu marido, agora, gostaria de ter mais um filho. Será que ainda posso? Como devo fazer?

É preciso saber qual foi o tipo de técnica cirúrgica utilizada para sua laqueadura, se não foi retirada a porção final da trompa (as chamadas fímbrias). Pode-se realizar a cirurgia de reversão de laqueadura, mas isso não vai garantir que haja uma nova gravidez. Outra opção seria a fertilização in vitro, independentemente da técnica utilizada em sua esterilização. Procure sua ginecologista para mais informações, leve os exames que tiver em casa e o resumo de alta da sua cirurgia, se os tiver.

4) Queria saber se depois de uma laqueadura de trompas, teria a possibilidade de a trompa se refazer, ou se teria como engravidar sem fazer uma inseminação artificial?

As mulheres que realizam laqueadura tubárea e desejam engravidar depois, a depender da técnica cirúrgica utilizada, podem realizar a cirurgia de reversão da laqueadura. Mas essa operação não é garantia absoluta de sucesso, do ponto de vista de gravidez. Quando há falha neste processo - ou foi utilizada uma técnica que permite a reversão -, é preciso partir para fertilização in vitro. A taxa de falha da laqueadura, ou de mulheres que engravidam naturalmente após se submeter à laqueadura, é muito baixa, menor que 1%.

5) Desde dezembro de 2009, venho tratando de uma ferida no útero, diagnosticada através da colposcopia (exame do colo do útero). Já tomei vários remédios, fiz cauterização e, agora, a ferida melhorou. Porém, no resultado da colpocitologia deu presença de alterações inflamatórias acentuadas, esfregaço purulento e flora cocóide. E, no resultado da colposcopia, deu colpite difusa. A médica falou que não sabe mais que remédio me receitar, porque já era para ter sarado. Perguntei se poderia ser algo mais grave, e ela disse que não, mas a achei insegura. O que a senhora acha?

Pelo que me disse, ainda pode haver algum tipo de inflamação que talvez precise de tratamento. E, nesses casos de infecções repetidas, em geral, é preciso investigar se há algum problema que provoque o retorno frequente da inflamação. Mas não é possível afirmar nada sem realizar uma avaliação completa, com exame ginecológico e todo o processo de uma consulta. Minha sugestão é que procure sua médica, ou outra colega ginecologista, para que esclareça suas dúvidas e dê continuidade ao seu tratamento.

6) Sinto muitas cólicas. Quando a menstruação está para vir ou para ir embora, o sangue tem um aspecto bem vivo. Falei com meu ginecologista, e ele disse que é normal. O que faço?

Realmente, pode ser normal, mas não é possível afirmar nada sem conhecer a paciente e avaliá-la durante uma consulta completa, com exame ginecológico e exames complementares. O que posso afirmar é que, mesmo para cólicas que não têm uma doença como causa, há tratamentos para que a mulher não perca sua qualidade de vida, pois sabemos que as cólicas podem atrapalhar nosso dia a dia. Minha sugestão é que converse com seu médico e exponha suas dúvidas. Assim, poderão chegar juntos a uma solução para sua queixa.

7) No mês passado, dois dias depois de terminar minha menstruação, o sangramento "que já tinha parado" voltou, na forma de pedaços de sangue, como se fosse uma hemorragia. Não procurei um médico por vergonha do meu estado. Era muito sangue descendo! Agora, voltou ao normal. Tomo um remédio chamado Ciclo 21®. Seria uma reação a ele?

Você deve procurar uma ginecologista o quanto antes para uma avaliação completa, pois um sangramento fora do períodomenstrual pode ser sinal de alguma alteração hormonal. Essa alteração pode ser causada por esquecimento (não ter tomado um comprimido da cartela) ou pelo próprio útero, que pode conter um pólipo ou mioma, por exemplo. Não é possível afirmar nada sem realizar uma consulta, exame ginecológico e exames complementares. Não é preciso ter vergonha. Nós, médicos, estamos acostumados a lidar com pessoas e momentos delicados. Faz parte do dia a dia da ginecologista lidar com mulheres que apresentam sangramento, entre outros problemas. Não deixe de procurar uma ginecologista!

8) Minha gravidez é de risco, pois tenho um mioma intramural grande. Preciso saber se o bebê pode nascer com problemas.

Durante a gestação, o mioma pode crescer mais, devido à maior quantidade de hormônios nesta fase. Por isso, a gestação pode ser considerada de alto risco, e o pré-natal, portanto, deverá ser ainda mais cuidadoso. O mioma pode disputar espaço com o restante do útero dentro da barriga, o que aumenta as chances de um parto prematuro. Se isso acontecer, quanto mais prematuro o bebê nascer, mais riscos ele terá no que diz respeito a dificuldades para respiração e infecções, por exemplo, podendo ser necessária internação em UTI neonatal. Mas isso não é regra. São apenas riscos. O mais importante é se manter tranquila e realizar o pré-natal corretamente. Aproveite ao máximo suas consultas para tirar as dúvidas com sua obstetra. Eu sempre aconselho minhas gestantes a trazerem para a consulta de pré-natal as dúvidas anotadas. Assim, não há risco de esquecimento. E, a qualquer sintoma diferente, entre em contato com sua obstetra ou procure o pronto-socorro da maternidade mais próxima.

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