Conheça mitos e verdades sobre as plantas medicinais

Conheça mitos e verdades sobre as plantas medicinais

Atualizado: Segunda-feira, 21 Novembro de 2011 as 8:39

Há diversas maneiras para manter o corpo imune, curar alguma doença e até combater a insônia. Mas muita gente prefere recorrer às plantas medicinais do que aos medicamentos tradicionais.

Essas plantas são usadas por diferentes povos há anos e a ciência contemporânea passou a estudar os seus efeitos em laboratórios, fazendo testes em enzimas ou células animais.

Muitos desacreditam nos efeitos e segundo Fernando da Costa, professor de farmacognosia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, várias pessoas utilizam essas plantas baseadas apenas em indicações feitas por leigos. Por consequência, não chegam ao resultado desejado e, em alguns casos, sofrem efeitos colaterais.

Plantas medicinais, também chamadas de medicamentos fitoterápicos, passam pelos mesmos processos de desenvolvimento dos medicamentos químicos. "Há inúmeros estudos científicos que comprovam a eficácia delas no tratamento de enfermidades. Entretanto, há estudos que também comprovam que mesmo elas sendo eficazes, não são seguras", explica.

O pesquisador do Hebron, Jan Carlo Delorenzi, afirma que mais de 90% dos produtos no mercado farmacêutico teve sua origem em um produto natural. "O ácido acetil salicílico, usado clinicamente desde 1891, tem a sua origem no produto natural ácido salicílico, extraído de Salix alba, uma planta muito antiga."

De qualquer forma, os dois tipos de tratamentos medicinais andam lado a lado. As ervas são chamadas de tratamentos complementares ou tradicionais. No Brasil, por lei, os fitoterápicos são considerados medicamentos e pertencem à medicina convencional. "Todas as espécies consideradas medicinais possuem substâncias ativas que possuem os mesmos efeitos que aquelas presentes nos medicamentos industrializados. Portanto, podem aliviar sintomas ou curar enfermidades", explica Delorenzi.

Segundo o professor da Costa, a grande diferença entre as duas é que não existe controle da presença e da quantidade de princípios ativos nas ervas.

Cuidados na hora de usar

A idade, o peso e o metabolismo de cada usuário devem ser considerados antes do tratamento. Todas as plantas são potenciamnete tóxicas e venenosas. "Um problema bastante sério é a substituição de um tipo de planta por uma outra bastante similar, mas que possui componentes altamente tóxicos, podendo levar o usuário a quadros graves de intoxicação", explica da Costa.

Todo medicamente possui contra indicação. Um exemplo é a escopolamina usada pelas mulheres para combater cólicas menstruais. "É um alucinógeno fortíssimo. A concentração desta substância no medicamento que alivia cólicas é muito pequena, se comparada na encontrada na planta. Então, uma mesma planta que pode ser benéfica, também pode trazer malefícios", conta Delorenzi.

Apesar de serem "naturais", elas possuem substâncias que interferem quimicamente no organismo humano. Segundo o pesquisador, medicamentos feito com elas seguem o mesmo principio e rigor científico que os medicamentos químicos sintéticos. Essa afirmação quebra a regra criada por alguns adpetos ao tratamento fitoterápico, que dizem que as pessoas que evitam medicamentos convencionais têm uma maior expectativa de vida.

Recomenda-se que as pessoas interessadas no uso de plantas medicinais procurem profissionais da saúde, como médicos e farmacêuticos. "Uma outra alternativa segura é procurar utilizar medicamentos fitoterápicos registrados pela ANVISA, porém sempre com a indicação feita por médicos", alerta da Costa.

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