Conheça os efeitos do chá que o cartunista Glauco tomava

Conheça os efeitos do chá que o cartunista Glauco tomava

Atualizado: Quarta-feira, 17 Março de 2010 as 12

O cartunista Glauco participava da igreja do Santo Daime, em Osasco, na Grande São Paulo, que foi frequentada pelo suspeito do crime, Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o Cadu, de 24 anos. Nos rituais, os seguidores usam um chá - o Ayahuasca - à base de folha e raízes da Floresta Amazônica.

O Jornal Hoje ouviu estudiosos para entender quais os efeitos do chá e as reações que a bebida provoca.

Há mais de dois anos pesquisadores da USP de Ribeirão Preto tentam conhecer melhor os efeitos do chá usado no Santo Daime - e como ele atua no cérebro.

A pessoa toma o chá e a substância vai para o estômago, entra na corrente sanguínea e segue para o cérebro, onde se espalha. O lado mais ativado é o hemisfério direito, que controla as emoções como satisfação, insatisfação, equilíbrio, desequilíbrio e euforia.

Os estudos mostram que o chá leva, em média, meia hora para fazer efeito. Em uma hora as pessoas começam a apresentar alterações de comportamento: primeiro, um estado de relaxamento, depois muita euforia e logo em seguida alteração de percepções. É quando começam as visões distorcidas do cérebro.

Um estudo apresentado durante um congresso na Espanha revela as alterações registradas no cérebro de quem bebe o chá. A cor amarela representa as regiões ativadas pelas substâncias existentes na mistura de raízes de cipó e folhas de Chacrona.

"Quando uma substância química ativa uma região, ela na verdade altera o equilíbrio. Não há relato de reações violentas, o que pode acontecer é uma certa inquietude", diz o psiquiatra Erickson Furtado. "Mas para a maioria dos indivíduos os relatos são de relaxamento."

O psiquiatra Alex Figueroa, da Guatemala, faz parte da equipe brasileira que estuda as reações das pessoas que bebem o chá. Ele quer saber também se o uso do chá pode provocar morte de neurônios. "Cada pessoa tem um cérebro diferente, com experiências diferentes, por isso que dependendo da experiência da cultura, do estado da pessoa pode provocar uma viagem boa ou ruim", diz.

Postado por: Felipe Pinheiro

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