Conjuntivite se espalha no litoral e no interior de São Paulo

Conjuntivite se espalha no litoral e no interior de São Paulo

Atualizado: Quinta-feira, 31 Março de 2011 as 10:06

A epidemia de conjuntivite já se espalhou por ao menos 18 cidades do interior e da Baixada Santista e já fez 42.631 vítimas nos três primeiros meses deste ano.

A infecção já chegou a causar a interrupção das aulas em algumas cidades, já teve surtos em penitenciárias e não poupou nem mesmo jogadores da equipe de futebol do União Mogi, da Série B-1 do Paulista deste ano.

O levantamento feito pela   Folha   nessas 18 cidades não inclui a capital. No último balanço do Estado, eram 18,4 mil pessoas infectadas.

Na capital, segundo a prefeitura, eram mais de 50 mil casos, de acordo com balanço até 15 de março. Agora os casos se espalharam pelo Estado. Das 18 cidades apuradas ontem, Santos foi a que com mais registros: 14.496.

Na região, Serrana (313 km de SP) preocupa mais, com cerca de 1.300 casos. Em Ribeirão Preto (313 km de SP), são 371.   Em Rio Claro (173 km de SP), 952 pessoas foram infectadas, três vezes mais do que em 2010, quando 265 casos foram registrados. "Mandamos nota técnica para que as escolas orientem os alunos a lavarem as mãos", disse a coordenadora da Vigilância Sanitária da cidade, Ivana de Souza.

Os municípios dizem que há aumento em relação a 2010, mas alegam que não têm dados disponíveis do ano passado porque não houve surto na ocasião.

Em São José do Rio Preto (438 km de SP), foram 6.245 casos entre janeiro e março, número que supera todo o ano passado, quando a cidade registrou 3.442 doentes.

Segundo a assessoria da prefeitura, a cidade tem reforçado campanhas nos postos de saúde e escolas.

AULAS SUSPENSAS

Em Mogi das Cruzes (Grande SP), onde há registros de 6.000 casos desde o início do ano, algumas escolas chegaram a suspender as aulas.

Já em Orlândia (365 km de SP), toda a rede de ensino parou por dois dias e as aulas só devem retornar amanhã na cidade.

Em outras cidades, como em Jaborandi (418 km de SP), as aulas foram suspensas por uma semana. A cidade registrou em torno de 700 casos, mas o prefeito Ronan Cardozo (PTB) disse que o número deve ser maior: pelo menos 900.

"Muita gente não notifica a Saúde, então não chegam esses dados. Mas só de frascos de colírios foram distribuídos 600", disse.

Nem profissionais da saúde conseguiram escapar da conjuntivite. Na Santa Casa de Barretos (423 km de SP), cem dos mil funcionários do hospital tiveram ou têm a doença.

De acordo com o médico do Departamento de Oftalmologia da Unicamp, Wilson Marchi, a doença tem alto poder de contágio. "O vírus não voa, a gente que leva. Por isso o reforço é para lavar as mãos com frequência e, se apresentar os sintomas, não se automedicar", afirma.  

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