Contra o sedentarismo, malabarismo

Contra o sedentarismo, malabarismo

Atualizado: Quinta-feira, 17 Abril de 2008 as 12

O que é malabarismo? Seria um esporte? Uma arte? A definição de algum ato que foi executado com extrema habilidade? Não há uma resposta correta. Malabarismo pode ser todas as alternativas anteriores, além de uma maneira divertida e diferente de sair do sedentarismo e eliminar alguns quilos.

"O malabarismo é considerado uma modalidade de circo como uma outra qualquer. Juntamente com acrobacia, perna de pau, monociclo, entre outras, é praticada no solo, ao contrário do trapézio, por exemplo, que é aéreo. É uma arte de manipular objetos", define Aline Essu, professora da Academia Brasileira de Circo.

"É esporte, é lazer, um pouco de tudo", completa Gutenberg Moura, professor do Circo Escola Picadeiro, que joga malabares há 15 anos e considera a atividade a sua vida.

Outra questão indefinida diz respeito à origem do malabarismo. Ao que tudo indica, os primeiros registros vêm do Egito, onde foi encontrada uma pintura de mulheres praticando a atividade.

Hoje, o malabarismo é visto mais como um esporte, já tendo alcançado proporções grandes o suficiente para garantir a criação de associações, federações e eventos mundiais de apelo televisivo.

Simples, mas nem tanto

Aline e Moura são taxativos em relação à simplicidade da prática do malabarismo. "Somos procurados por muitos jovens e adolescentes. Tem pessoas de idade que vêm, também, porque é uma atividade que não precisa de tanto preparo ou vigor físico", diz o professor. "É uma atividade leve, lúdica", completa a instrutora.

De um modo geral, muitos objetos podem ser usados como malabares, além dos tradicionais que são: clave, bola, argola, chapéu chinês, lenço (mais fácil), diabolo, facão e clave de fogo (esses dois, os mais difíceis e, geralmente, fora do alcance de aprendizes). "Até frutas servem. É muito simples, basta querer. Se tiver três bolinhas em casa, já dá para fazer, é bem fácil", incentiva Aline.

Mas, se por um lado as exigências materiais são poucas, por outro, a exigência de coordenação motora, agilidade e reflexo pode fazer com que o aprendizado seja demorado. "É preciso ter muita paciência e força de vontade, acima de tudo. Em muitos momentos, o malabarismo pode ser bastante chato. Por mais treino, ensaio e dedicação que tenhamos, nós erramos", explica Moura.

Apesar desse fator, a atividade não é difícil ao ponto de ser frustrante. O empenho traz evoluções constantes e o ambiente de circo proporciona uma inspiração diferente. "Muitas pessoas, só pelo fato de entrar debaixo da lona para fazer aula, já se sentem melhor, menos estressadas", relata Aline. "A magia do circo realmente ajuda bastante", completa Moura.

Uma, duas, três bolinhas...

O aprendizado do malabarismo tem evolução constante, porém, demorada. O número de malabares usados vai aumentando progressivamente. Aline afirma que em um mês, dependendo do esforço e da capacidade de coordenação motora, já é possível praticar a atividade com três objetos.

Resultados mais vistosos, porém, levam tempo. "Para ter uma visão boa, observar a pessoa fazendo algo e logo aprender; ter o reflexo rápido, já saber aonde vai a clave se ela sai de maneira errada, jogar com os olhos fechados, precisa de uns seis, sete anos de prática", diz Moura.

Não existem grandes restrições para quem quer fazer malabarismo. A única contra-indicação é para crianças menores de 5 anos que, segundo a professora, ainda não têm destreza para jogar os malabares. "Para algumas que têm tendinite, bursite, inflamações nos tendões, vai ser dolorido, mas pelo menos um pouco conseguem fazer", completa Aline.

Os resultados para o emagrecimento causam divergência entre os especialistas. Moura afirma que é possível perder alguns quilos por mês se houver dedicação. Já Aline é mais contida, mas, ainda assim, recomenda o malabarismo para quem busca uma atividade física.

"Não há muito trabalho aeróbico, mas acaba movimentando bastante porque é difícil manter constantemente os objetos no ar, fazer todas as manobras. Os membros superiores são bem trabalhados, abaixa e levanta toda hora para pegar os aparelhos, vai correndo atrás das bolinhas... Para sair do sedentarismo, é bem legal", conclui a professora.

Postado por: Claudia Moraes

veja também