Corredores iniciantes se machucam por besteira

Corredores iniciantes se machucam por besteira

Atualizado: Quinta-feira, 3 Novembro de 2011 as 11:37

A mais recente delas foi a SP-Rio, organizada pela Nike. Vinte equipes com 225 convidados, amadores, na maioria, se revezaram por um percurso de 600 km.

Treze equipes tinham 13 integrantes, que corriam 40 km nos três dias de prova, e sete equipes tinham oito pessoas, que faziam essa distância por dia, durante os três dias.

A largada foi no Ibirapuera, na quinta, dia 20, e, a chegada, em Ipanema, sábado. Enquanto um corria, os outros da equipe iam de van até o posto de troca, onde quem estava correndo passava o chip para o próximo. A prova era dividida em 77 trechos: 76 postos e a chegada.

No início, animação. No fim, animação. E dores.

A estudante Iolanda Michele Cezar, 23, que o diga. Ainda no segundo dia, além de dor muscular, estava com duas unhas do pé caindo. "Sabia que poderia me machucar, mas estou aqui para correr, não vou parar."

Os problemas mais comuns, segundo Felipe Hardt, um dos coordenadores da equipe médica da prova, foram dores musculares na coxa e na panturrilha e cãibras.

"Muita gente só veio reclamar de dor no último dia", disse Hardt. "Era o medo de ser cortado." Só uma participante foi tirada da competição, por estar com inchaço no joelho. E todos, ali, sabiam dos riscos que uma prova pode causar e estavam dispostos a aguentar a dor.

Quem começa na corrida se machuca por besteira.

"Todo exercício causa microlesões", diz Jomar Souza, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. "Para cicatrizar, precisa de repouso. Ou vira macrolesão."

Profissionais que trabalham com corredores lembram os amadores de que é importante fazer check-up. E observar o que o corpo "fala".

O alongamento nem sempre é bom. "Em excesso, pode causar lesões", diz Victor Liggieri, fisioterapeuta e autor de "De Olho na Postura" (Summus). É importante, sempre, perguntar ao treinador o que deve ser feito.

"Quem pratica esporte tem que ficar atento a sinais, como inchaço nas articulações", diz Ricardo Cury, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Joelho.

O problema é que é difícil convencer um corredor a ficar parado. Um exemplo é o estudante Marcos Motoso, 20. "O médico me proibiu de correr, mas vim", disse ele, após correr 30 km na prova SP-Rio.

André Pedrinelli, da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, alerta que, quando o corredor abusa, pode ter fratura por estresse ósseo. "Isso é normal." Normal, mas dói.

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