Correr faz muito bem às mulheres

Correr faz muito bem às mulheres

Atualizado: Segunda-feira, 21 Março de 2011 as 8:38

O movimento de corredores pelos parques e ruas de todo o País é visivelmente crescente. As mulheres, em especial, têm ajudado a aumentar esse contingente.

O perfil das corredoras é bastante amplo. “Reúne todas as faixas etárias e classes sociais”, atesta Carlos Sampaio, sócio da Spiridon, uma das principais empresas organizadoras de corridas de rua do Brasil, como a Corrida da Mulher, no Rio de Janeiro. Aliás, além dessa prova feminina, outras tantas do gênero vêm sendo realizadas, como o Circuito Vênus, em São Paulo, e o Circuito Mulher, em Goiânia.

Para sentir o aumento da participação feminina nas corridas, basta conferir números do evento Maratona do Rio de Janeiro – que além da maratona (42 quilômetros) inclui a meia maratona (21 quilômetros) e a Family Run (6 quilômetros).

“Em 2010, dos inscritos na maratona, 14% eram mulheres; na meia maratona tivemos 31% e na Family Run 53%, contra 9%, 29% e 39%, respectivamente, em 2009. São números bem interessantes”, explica Sampaio.

Foco e determinação

Muitas se aproximam do esporte para manter a forma. E com um pouco de dedicação, o objetivo é alcançado.

“A corrida é uma excelente atividade aeróbica e promove grande queima calórica”, diz o treinador Marcos Paulo Reis, diretor da MPR Assessoria Esportiva, de São Paulo.

Para ele, a mulher conta ainda com uma característica muito importante que a faz se destacar: a determinação. “Logo ela está avançando nas distâncias e melhorando seus tempos. Como não se fortalecer com isso? Essa garra a mulher acaba levando para outras situações da sua vida”, garante o treinador.

“Os maiores desafios ao começar a correr são: ir além dos primeiros passos e conciliar filhos, obrigações domésticas, trabalho e cobranças”, diz a treinadora Eliana Reinert, técnica da equipe de atletismo associativo do Esporte Clube Pinheiros, de São Paulo, que também comanda o Projeto Correr Mulher, com orientações específicas ao sexo feminino.

“Elas têm solicitações, expectativas e objetivos diferentes dos homens. Precisam de um olhar e um treinamento diferenciado”.

Mas apesar de ser uma atividade simples e prática, é bom ter alguns cuidados no início. “Devido a uma predisposição maior a osteoporose, a mulher deve fazer uma adaptação mais prolongada que a do homem no esporte. É importante também ficar atenta ao vestuário, usando um bom top para que, literalmente, não sinta o peso dos seios. Por fim, é indicado aliar a corrida com exercícios de fortalecimento”, explica Luciana Toscano, diretora técnica da assessoria esportiva Equipe Toscano, do Rio de Janeiro.

Derrubando mitos

Correr faz muito bem às mulheres. Alguns dilemas, porém, podem deixá-las inseguras na hora de calçar o tênis. Não há o que temer. A seguir, especialistas derrubam os mitos em relação ao esporte.

Correr acelera o envelhecimento?

Não. “O exercício aeróbico irriga a pele e aumenta o tônus muscular, melhorando o aspecto da pele. Estudos provam que o sedentarismo, sim, colabora com envelhecimento”, diz Patrícia Vasconcellos Ferreira, educadora física e gerente geral do Centro de Bem-Estar Levitas, de São Paulo.

“A corrida realizada de forma equilibrada e aliada a boa alimentação e ao descanso só traz benefícios”, completa a treinadora Eliana Reinert.

Corrida faz seios e bumbum caírem?

Não. “Ao começar a correr, você queima gordura corporal e diminui suas medidas. Algumas vezes, devido ao excesso de pele, isso pode dar a impressão de flacidez. Por isso é essencial complementar o trabalho aeróbico com musculação”, aconselha a treinadora Patrícia. É importante ainda usar vestuário adequado - um top reforçado que permita boa sustentação e tênis de acordo com a pisada.

Corrida acaba com a celulite?

Não. Até porque milagres não acontecem. “O esporte, porém, auxilia a eficácia dos tratamentos para a celulite, porque aumenta a irrigação sanguínea”, explica a especialista do Centro de Bem-Estar Levitas.

Na TPM é melhor descansar?

As alterações no período pré-menstrual são diferentes de mulher para mulher. E os sintomas exacerbados da TPM podem levar a queda de rendimento. “Só que correr libera endorfina, substância ligada ao bem-estar. Com isso, muitas vezes conseguimos bloquear as manifestações negativas da TPM. As cólicas e os inchaços também diminuem com o exercício”, diz Patrícia.

Menstruação é empecilho para a corrida?

Geralmente não. “Mas a performance costuma cair em torno de 30% no período. A orientação, portanto, é correr em ritmo leve, no máximo por 40 minutos. Se você conseguir ultrapassar o obstáculo do desconforto inicial, tudo fica bem”, completa Patrícia.

Grávida pode correr?

Como a corrida causa impacto, a atividade só pode ser liberada nesse período pelo médico de confiança da mulher. É importante respeitar seus limites, não exagerar na dose e sentir-se bem com a prática.

Corrida é indicada na menopausa?

Sim, é uma atividade saudável e prazerosa em qualquer fase da vida. “Sabe-se que a cada ciclo de sete anos e principalmente após os 35 anos, a mulher precisa de mais atividade física”, diz Eliana Reinert. Na fase da menopausa e mais adiante, na terceira idade, o impacto da corrida, inclusive, ajuda a fortalecer os ossos e deixar a musculatura mais firme.

“Também pode diminuir os riscos de depressão, tanto pela produção de hormônios do bem-estar, como pelo aspecto social do esporte”, argumenta a educadora física Patrícia. E mais: “a corrida resgata uma capacidade que muitas vezes estava esquecida pela mulher, representa um resgate de energia e motivação”, completa a treinadora do Clube Pinheiros.

Corrida pode provocar incontinência urinária?

Não. “Só se a mulher tiver predisposição. O impacto, em si, não vai desencadear o quadro”, explica Eliana.

Correr pode levar a varizes?

Não. “Varizes são dilatações que dificultam o fluxo sanguíneo. A atividade é benéfica, pois aumenta a circulação”, diz Patrícia.

Correr estimula a libido?

Sim. Além da produção de hormônios do bem-estar, que continuam agindo por algum tempo após a prática esportiva, a corrida renova a energia feminina, ajuda a mulher a conhecer, entender e respeitar melhor seu corpo. “Tudo isso contribui para elevar a auto-estima e, consequentemente, estimular a libido”, argumenta a treinadora Eliana Reinert.

Três dicas para a mulher que quer começar a correr...

Buscar orientação especializada, realizar exames médicos e ser perseverante, colocando objetivos viáveis a médio e longo prazos.

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