Corrida agitada

Corrida agitada

Atualizado: Sexta-feira, 1 Fevereiro de 2008 as 12

 Running class estimula praticantes a incorporar atividade física à rotina, com trilha sonora pulsante e divertida

 A corrida é um termômetro do condicionamento físico das pessoas e, por isso, não é difícil encontrar quem não consiga percorrer nem mesmo um quilômetro. Para essas pessoas, as maratonas, com seus 42 quilômetros de percurso, são um desafio quase intransponível. Mesmo para corridas despretensiosas, falta fôlego para manter o ritmo. Fácil, fácil, o corredor bota as mãos no joelho, demonstrando todo o cansaço e incapacidade de continuar correndo. No entanto, nem mesmo a prática de outros exercícios garante que a pessoa conseguirá correr distâncias maiores. Um programa de treinamento que exige disciplina chegou a Belo Horizonte há cerca de um ano, e promete ajudar as pessoas a se transformarem em corredores. É o running class, aulas de corrida, em tradução livre.

A arquiteta Júlia Moreira Zenha, de 28 anos, aderiu a essa modalidade desde novembro. Mesmo praticando spinning, ela não tinha fôlego suficiente para percursos mais extensos. Nas esteiras, ao som de músicas eletrônicas, Júlia e outros alunos são incentivados a incorporar o hábito da corrida à rotina. Mais do que isso, são estimulados a encontrar prazer na atividade que, embora, muito aeróbica pode ser maçante quando praticada individualmente. Nas academias ou em casa, em geral, as pessoas começam a fazer esteira, mas se cansam rapidamente da prática repetitiva. Ainda mais que faltam, aos bientes fechados, as belas paisagens que podem ser vistas, por exemplo, em parques.

Nas aulas de running class, o professor é o principal motivador, contando também com a ajuda da trilha sonora bem agitada para fazer com que a atividade fique mais divertida. "É uma aula diferente e animada. Vou dando os comandos de movimentação de braço, postura da coluna, elevação da perna e correção da cabeça", informa o professor de educação física da academia Rio Sport Center, Johnny Costa Martins. A prática requer técnicas que resultam em uma corrida mais elegante. A postura e a forma como a pessoa respira indica se ela está correndo adequadamente. As aulas variam de 45 minutos a uma hora e devem ser feitas de duas a três vezes por semana.

O professor garante que a prática é excelente para afastar o sedentarismo, melhorando o condicionamento físico, além de ser também indicada para melhorar as medidas uma vez que, como atividade aeróbica, ajuda a queimar calorias. A corrida mexe com a musculatura da pernas e melhora a freqüência cardíaca. Dependendo da intensidade do aluno, é possível perder de 300 a 700 calorias por aula. A velocidade varia de 8 a 15 quilômetros por hora. Em uma aula, é possível percorrer a distância de 10 quilômetros, com subidas e descidas simuladas pelas esteiras.

Avaliação

Antes de começar, é preciso fazer uma avaliação física e cardiorrespiratória. Também é indicado o uso de tênis próprio e roupas leves, que facilitem a transpiração. Outra dica é sempre ter uma garrafa de água por perto, para se hidratar ao longo do percurso. Como todas as esteiras têm um sistema de amortecimento, ela é indicada para pessoas que tenham problemas de impacto nas articulações.

O próximo passo para os praticantes é passar da academia para as ruas. Muitos sonham em até participar de competições oficiais, como a Volta Internacional da Pampulha e a Corrida de São Silvestre. É o caso de Júlia e do administrador de empresas Gordon Velozo de Salles, de 41 anos. Nas primeiras aulas, ele não conseguia correr todo o tempo e parava muitas vezes para descansar. Agora, já busca melhor a velocidade e pensa em encarar um corrida oficial. "O objetivo foi melhorar meu condicionamento e a atividade ainda me ajuda a manter o peso. Virou um vício. Quando não corro, até meu humor muda", informa Gordon, que antes fazia spinning e musculação.

Postado por: Felipe Pinheiro

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