Crack está presente em 98% das cidades brasileiras

Crack está presente em 98% das cidades brasileiras

Atualizado: Terça-feira, 14 Dezembro de 2010 as 8:39

Uma pesquisa encomendada pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios) apresentou um quadro desalentador sobre o avanço das drogas no Brasil. O levantamento, divulgado nesta segunda-feira, apontou que 98% das cidades sofrem com a comercialização de entorpecentes, sobretudo o crack.

Entre os dias 2 e 23 de novembro, a CNM contatou as secretarias de saúde de todos os municípios brasileiros para coletar os dados sobre o enfrentamento ao consumo de crack e outras drogas. Das 5.563 cidades brasileiras, 3.950 responderam ao questionário, sendo que deste total 3.871 cidades admitiram a presença do crack e outras drogas.

O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, considerou a amostra bastante significativa. “Estamos falando de uma geografia do crack”, disse. Para ele, falta planejamento estratégico para enfrentar o problema.

Projetos e críticas

Sobre o lançamento do Plano de Enfrentamento do Crack e outras Drogas, em maio, pelo governo federal, ele destacou que a iniciativa limitou o acesso de muitos municípios às ações, uma vez que apenas cidades com população acima de 20 mil habitantes podem ser contempladas – um total de 1.643 (29,5%).

Para os municípios com menos de 20 mil habitantes, foi disponibilizada apenas a possibilidade de implantação de Núcleos de Apoio à Saúde da Família.

Uma das saídas, segundo Ziulkoski, seria investir em mais fiscalização nas fronteiras, uma vez que o Brasil tem 580 municípios nessa faixa. Outra estratégia citada pela CNM é a de controle da indústria química, para que o manuseio de elementos considerados essenciais para a produção de drogas diminua.

Ziulkoski lembrou que há um grande esforço do governo brasileiro para reduzir a mortalidade infantil, mas cobrou ações que combatam também a mortalidade juvenil. A previsão da CNM é que cerca de 300 mil jovens morram em decorrência do uso de crack nos próximos anos e que o país possa chegar a 10 milhões de dependentes.

O presidente da CNM descartou a possibilidade de legalização do consumo de drogas no país como solução para o problema. “Se, na Holanda, a legalização não deu certo, imagine no Brasil. Como vamos controlar isso?”, questionou.

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