Crianças com alergia à proteína do leite de vaca têm tratamento gratuito

Crianças com alergia à proteína do leite de vaca têm tratamento gratuito

Atualizado: Sexta-feira, 25 Abril de 2008 as 12

Mediante avaliação médica, pacientes diagnosticados com alergia ao leite de vaca (ALV) residentes no Estado de São Paulo podem conseguir o tratamento gratuitamente. A Secretaria de Saúde do Estado aprovou e publicou no Diário Oficial o Protocolo Clínico para a Normatização da Dispensação de Fórmulas Infantis Especiais para pacientes com ALV, o que garante maior agilidade para obter o produto, melhorando a adesão ao tratamento, já que agora as fórmulas infantis são gratuitas.

A alergia ao leite de vaca (ALV) é uma reação do sistema imunológico às proteínas do leite que provoca problemas gastrintestinais (diarréia, constipação, náuseas e vômitos), respiratórios (asma, rinite e chiado no peito) e na pele (manchas, lesões nas dobras e coceiras). A doença é responsável por 90% dos casos de alergia alimentar e atinge cerca de 5,7% das crianças brasileiras, principalmente no primeiro ano de vida. "Nesses casos, o tratamento exige a exclusão total de leites e derivados da dieta, inclusive da mãe (em situações de aleitamento materno), pois quantidades mínimas da proteína do leite podem desencadear reações alérgicas sérias", explica a Dra. Roseli Sarni, nutróloga pediatra da Unifesp, presidente do Instituto Girassol e do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Uma das alternativas é a substituição do leite de vaca por fórmulas infantis especiais: de soja, à base de proteínas extensamente hidrolisadas (nesse processo a proteína é fragmentada e tem menor chance de causar a reação alérgica) ou fórmula especial composta de aminoácidos livres. Parte das crianças com alergia ao leite de vaca começa a tolerá-lo com um ano de idade e a maioria (cerca de 85%) até completarem três anos.

A especialista ressalta também que a maior dificuldade é o diagnóstico, pois os sinais e sintomas da ALV se parecem com os de outras doenças e isso acaba dificultando o diagnóstico e retardando o início do tratamento. A demora por um diagnóstico preciso aconteceu com Ana Clara, de 7 meses, que foi diagnosticada tardiamente com alergia ao leite de vaca. A mãe, Carla Cristina Carvalhal Gomes, conta que durante o aleitamento materno apareceu o primeiro sintoma: a descamação na pele. O vômito foi o segundo sintoma e surgiu logo que o bebê começou a tomar leite em pó. "O pediatra não desconfiou da alergia e sugeriu apenas a troca para o leite de soja, mas os sintomas não desapareceram", explica. Após essa tentativa, o pediatra receitou a fórmula especial composta de aminoácidos livres (Neocate), pois, além dos sintomas, Ana Clara não estava ganhando peso. O médico, inclusive, informou a mãe sobre o fornecimento gratuito da fórmula pelo governo.

Como conseguir a fórmula infantil especial

Para obter as fórmulas infantis especiais, a criança deve passar por uma avaliação médica. Após a confirmação do diagnóstico, o especialista deve preencher a ficha de avaliação para o fornecimento de fórmulas infantis especiais. Além disso, o médico deve elaborar um relatório justificando a necessidade da fórmula e duas vias da receita médica assinada e carimbada.

A mãe ou responsável deve juntar as declarações fornecidas pelo médico e as fotocópias de exames, certidão de nascimento, comprovante de residência, CPF e RG dos pais e do cartão Nacional de Saúde (Cartão SUS) do paciente. A documentação será avaliada para que a criança possa receber a quantidade correta da fórmula. "O processo é bem rápido, demorei cerca de 1 hora para sair de lá com a quantidade necessária de fórmula para um mês", comenta Carla Cristina Carvalhal Gomes. Todos os documentos devem ser entregues no Ambulatório Regional de Especialidades Maria Zélia da UNIFESP (Rua Jequitinhonha, 360, Belenzinho, São Paulo - SP, Telefone: 3583-1900, horário de funcionamento das 7h às 17h).

A alergia alimentar e o fator nutricional

Um inquérito epidemiológico realizado em 11 estados brasileiros mostra que 25% das crianças com alergia ao leite de vaca apresentam déficit nutricional e desnutrição. Isto pode ocorrer devido à doença ou quando a dieta substitutiva não atende às necessidades de nutrientes fundamentais para o crescimento e desenvolvimento dos bebês, principalmente energia, proteínas, gorduras e cálcio. "Essa doença merece uma vigilância no ganho de peso e da estatura da criança", destaca Dra. Roseli Sarni.

Esse quadro ocorre em conseqüência de alguns fatores: ingestão alimentar insuficiente, má-absorção intestinal, perda de substâncias que aumentam a necessidade de nutrientes, aumento da necessidade de energia, dieta substitutiva inadequada. "O prejuízo da carência nutricional não é recuperado, podendo deixar seqüelas irreversíveis no crescimento e desenvolvimento da criança", ressalta a especialista. Estudos mostram que o uso de fórmulas infantis adequadas (extensamente hidrolisadas ou à base de aminoácidos) pode prevenir ou minimizar o déficit nutricional.

Para a Dra. Roseli Sarni, a ALV continua sendo um grande desafio na prática pediátrica e a sua prevalência encontra-se em ascensão. A especialista lembra que o leite de cabra e produtos à base de soja também podem desencadear reações alérgicas: "fórmulas de soja e leite de cabra não são adequados para substituir o leite materno na prevenção da alergia ao leite de vaca". Vale dizer que a maioria das crianças desenvolvem tolerância clínica à proteína do leite de vaca nos primeiros três anos de vida, por isso, o acompanhamento e orientação médica devem ser freqüentes.

Instituto Girassol: apoio aos pacientes

Fundado em janeiro de 2005, o Grupo de Apoio aos Portadores de Necessidades Nutricionais é uma organização sem fins lucrativos que visa promover o acesso à terapia nutricional de qualidade aos portadores (crianças e adultos) de necessidades nutricionais especiais, por meio da defesa dos seus direitos, de pesquisa, da capacitação técnica e da disseminação de conhecimentos. Desde o início de suas atividades, já cadastrou mais de 500 pacientes sendo os problemas mais freqüentes a alergia alimentar (principalmente a APLV). O instituto também fornece apoio aos pacientes que necessitam de dietas essenciais para sua recuperação e tratamento. Telefone: 08007739000 e site: http://www.girassolinstituto.org.br

Lista de Documentos para Solicitação da Fórmula Infantil Especial

Documentos para a primeira solicitação da fórmula especial:

Ficha de avaliação para fornecimento de Fórmulas Infantis Especiais preenchida pelo médico; Relatório Médico justificando necessidade de Fórmulas Infantis Especiais; Xerox dos exames do paciente (se houver); Receita médica em duas vias, carimbada e assinada; Xerox da certidão de nascimento do paciente; Xerox do comprovante de residência; Xerox do CPF e do RG dos pais; Xerox do Cartão Nacional de Saúde (Cartão SUS - Sistema único de Saúde) do paciente. Documentos para retirar as fórmulas infantis:

Documento de identidade do responsável, acima de 18 anos; Não é necessária a receita médica.  

Postado por: Claudia Moraes

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