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Saúde

Depressão: a doença do afeto

Depressão: a doença do afeto

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:30

Cerca de 121 milhões de pessoas sentem-se deprimidas ao redor do mundo

Pode-se dizer que a depressão é um dos males da sociedade moderna. Essa doença, que altera a maneira como a pessoa vê o mundo, sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente disposição e prazer em viver, sempre existiu, mas com a mudança de conceitos e hábitos de vida fez com que se proliferasse mais intensamente.

Estima-se que 121 milhões de pessoas ao redor do mundo estejam, neste momento, deprimidas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é a quarta causa global de incapacidade, sendo responsável pela metade das doenças mentais existentes no mundo.  

A depressão é um transtorno afetivo ou de humor. Segundo a médica e psicanalista, Soraya Hissa de Carvalho, a afetividade e a parte psíquica responsável pela parte sentimental de tudo aquilo que vivemos. "Se nossas vivencias são agradáveis, prazerosas, sofríveis, angustiantes, causam medo, todos esses valores são atribuídos pela nossa afetividade. É através do afeto que o mundo e o que vivemos chega até nossa consciência com o significado emocional que tem para nós. Para melhor compreensão digo que a afetividade funciona como as lentes dos óculos através das quais enxergamos emocionalmente nossa realidade", explica a psicanalista.

Desta forma, a doença pode ser compreendida como um transtorno que atinge nossa afetividade e, por conseqüência, como valorizamos a realidade e a vida. Ela compromete tanto o físico como o humor e o pensamento.  "A depressão, de um modo geral, resulta numa inibição global da pessoa, afeta a parte psíquica, as funções mais nobres da mente humana, como a memória, o raciocínio, a criatividade, a vontade, o amor e o sexo, e também a parte física. Enfim, tudo parece ser difícil, problemático e cansativo para o deprimido", diz Soraya.               

Os fatores que levam um indivíduo a apresentar um quadro depressivo são múltiplos. Podem ser fatores genéticos ou psicológicos, como: estresse, estilo de vida, acontecimentos vitais, tais como crises e separações conjugais, morte na família, climatério, crise da meia-idade, entre outros.

Tratamento

A depressão é uma doença séria, que pode levar um indivíduo a morte.  Calcula-se que 10% a 15% dos deprimidos tentam suicídio. Do total de um milhão de pessoas que se matam anualmente, 60% delas são portadoras de depressão ou esquizofrenia. Por isso, a doença deve ser tratada e acompanhada por um especialista.

Apesar da medicina dispor de medicamentos satisfatórios para o tratamento do deprimido, de acordo com a OMS, cerca de 75% das pessoas com depressão não recebem tratamento adequado, pois não têm a doença diagnosticada ou não conseguem ajuda médica.

Nesses pacientes, os medicamentos prescritos são os antidepressivos. Segundo a médica, essas substâncias agem diretamente para a correção do humor ou do afeto.

Como toda outra doença, Soraya recomenda o carinho e o apoio dos familiares e amigos. "O carinho e apoio são fundamentais para uma rápida recuperação. O deprimido que se sente acolhido e amado vai ter mais força para superar suas angústias, medos e pensamentos distorcidos", orienta a médica.

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