Desequilíbrio de ácidos graxos aumenta risco de depressão pós-parto

Desequilíbrio de ácidos graxos aumenta risco de depressão pós-parto

Atualizado: Domingo, 3 Fevereiro de 2008 as 12

Estudo revela que mulheres grávidas que consomem mais ômega 6 do que ômega 3 têm sete vezes mais chance de desenvolver depressão pós-parto, especialmente se estiverem abaixo do peso no início da gravidez.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostrou que o consumo desequilibrado entre alimentos com ômega 3, encontrado nos peixes, óleos de peixe, nozes, rúculas, entre outros, e ômega 6, os óleos vegetais (girassol, milho, soja, algodão)  - ácidos graxos essenciais para o bom funcionamento do corpo ? aumenta em sete vezes o risco de depressão pós-parto (DPP), especialmente em mulheres com baixo peso no início da gestação.

Os pesquisadores estudaram os hábitos alimentares de 94 gestantes de baixa renda e faixa etária entre 18 e 40 anos, da capital fluminense. As mulheres foram submetidas a cinco etapas de entrevistas, com aplicação de questionário de freqüência de consumo e avaliação nutricional para verificar a ingestão de uma série de nutrientes, entre eles os ácidos graxos da família ômega 3 e 6. Ao final do estudo, aproximadamente 30% das mulheres desenvolveram a depressão pós-parto. A prevalência foi ainda maior entre mulheres que apresentavam consumo desequilibrado de alimentos com ômega 3 e ômega 6. Nesse grupo, 56% delas desenvolveram a doença.

De acordo com Gilberto Kac, professor do Instituto de Nutrição da UFRJ e coordenador do estudo, quando a mulher consome quantidades maiores que 9g de ácidos graxos da família ômega 6 para cada 1g de ácidos graxos da família ômega 3 ela tem sete vezes mais chances de desenvolver o transtorno depressivo. Além disso, o baixo peso da mãe no início da gestação, expresso pelo IMC pré-gestacional, também é um fator de risco e aumenta em cinco vezes as chances de ocorrência da DPP, devido a redução de reservas de gordura no organismo.

"Os resultados desse estudo servem para alertar que o desequilíbrio no consumo de compostos lipídicos essencias ao funcionamento adequado do corpo pode levar a transtornos depressivos, como a depressão pós-parto, cada vez mais comuns na população em geral e com altas prevalências", destaca o especialista.

Alimentação durante a gravidez

Segundo Kac, não basta apenas consumir alimentos com ômega 3 e ômega 6, é preciso que a ingestão desses nutrientes seja equilibrada. "Durante a gravidez, é importante incluir na dieta folhas verde-escuras, cereais, frutas, leguminosas, grãos em sua forma mais natural, peixes, como a sardinha, e evitar o consumo de produtos industrializados que possuem maior quantidade de ômega 6 do que ômega 3", recomenda Kac.

Nesse período, especialmente, a alimentação da mulher requer quantidades adequadas de nutrientes (proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas, sais minerais e água) para evitar danos ao organismo da mãe e do bebê. "Assim como o ômega 3 e ômega 6, o consumo de alimentos enriquecidos com ácido fólico, ferro, cálcio e outras vitaminas e minerais devem integrar a dieta da gestante. Se a mãe não consegue absorver esses nutrientes por meio de uma alimentação balanceada, ela pode complementar a dieta com suplementos vitamínicos e minerais", conclui.

O pesquisador também destaca que os benefícios de uma alimentação equilibrada com ômega 3, associada a hábitos saudáveis, é fundamental na prevenção da depressão pós-parto, além de auxiliar no tratamento de transtornos depressivos, uma vez que esse nutriente influencia no bom funcionamento do sistema nervoso central.

A descoberta da relação entre o consumo de ácidos graxos com a depressão pós-parto foi reconhecida no meio científico com o Prêmio SBAN Centrum 2007, na categoria Nutrição e Saúde Coletiva.

Ácidos graxos

Os ácidos graxos são alimentos funcionais poliinsaturados não sintetizados pelas células do organismo, portanto, devem ser adquiridos pela alimentação. Existem dois ácidos graxos essenciais: ômega 3 (ácido linolênico) e ômega 6 (ácido linoléico).

Os perigos da depressão pós-parto

A depressão pós-parto traz uma série de conseqüências negativas para a mãe e o seu bebê. Pesquisas mostram que filhos de mães deprimidas apresentam maior risco de desenvolver doenças psicológicas, problemas comportamentais e de desenvolvimento e atrasos na aprendizagem. O efeito da doença mental na mãe também pode ser devastador e levar, inclusive, ao infanticídio.

Postado por: Claudia Moraes

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