Desfibrilador eleva sobrevida em 36%, indica estudo do Metrô de SP

Desfibrilador eleva sobrevida em 36%, indica estudo do Metrô de SP

Atualizado: Terça-feira, 8 Dezembro de 2009 as 12

Em três anos, o uso de desfibriladores nas estações do Metrô de São Paulo aumentou em 36% a sobrevida de pessoas que sofreram parada cardiorrespiratória. Os resultados são do primeiro estudo na América Latina que avaliou o impacto dos desfibriladores em locais públicos de grande circulação.

Ao menos 3,3 milhões de pessoas passam pelos trens e pelas 55 estações do Metrô todos os dias. O trabalho foi apresentado no congresso da American Heart Association, que aconteceu no mês passado em Orlando (Estados Unidos).

Desde 2006, uma lei municipal de São Paulo tornou obrigatório o uso do desfibrilador em locais para mais de 1.500 pessoas. A lei se refere a aeroportos, shoppings, mercados e outros estabelecimentos e impõe multa de R$ 2.000 a quem não cumprir a exigência, mas, como não foi regulamentada, poucos locais utilizam o aparelho. De setembro de 2006 até abril deste ano, 44 pessoas sofreram ataques cardíacos nos trens ou nas estações do Metrô, 30 delas com fibrilação ventricular, situação em que o coração bate acelerada e desordenadamente e os batimentos só podem ser controlados com choques de um desfibrilador.

A literatura médica diz que, a cada minuto de parada cardíaca, a pessoa perde 10% de chance de vida. Poucos sobrevivem além dos dez minutos. O segurança Renilson Santa Rosa, 32, foi um deles. No início do ano passado, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória na estação Artur Alvim (zona leste). Em três minutos, recebeu um choque no coração, seguido de massagens no peito, e sobreviveu sem sequelas. Hoje, tem um marca-passo. "Aumentamos a sobrevida de 0% [quando não havia o programa no Metrô] para 36%.

As taxas iniciais são satisfatórias e condizentes com o que aconteceu em outros lugares, mas podemos melhorar muito e aumentar essas taxas", afirma o cardiologista Sergio Timerman, um dos autores do estudo. No exterior, as taxas de sobrevivência em programas comunitários como o Metrô variam de 40% a 76%. Em Las Vegas (EUA), por exemplo, depois que os 20 grandes hotéis e cassinos adotaram os desfibriladores, o índice de sobrevida está em 76%.

Por: claudia Colluci

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