Dia nacional da Distonia: saiba como o problema afeta a vida de brasileiros

Dia nacional da Distonia: saiba como o problema afeta a vida de brasileiros

Atualizado: Quinta-feira, 6 Maio de 2010 as 10:15

Movimentos bruscos e involuntários dos membros, espasmos no pescoço e nos braços, tremores nas mãos ou piscadas repetidas dos olhos. Essas são algumas das reações que, diariamente, acompanham a vida de mais de meio milhão de pessoas com distonia no país.

Na data em que se comemora o Dia Nacional da Distonia, 6 de maio, o neurologista Dr. Nilson Becker, especialista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica como a doença pode atrapalhar e prejudicar a qualidade de vida dos portadores, bem como as alternativas de tratamento com a aplicação da toxina botulínica tipo A.

A semelhança nos sintomas faz com que o problema seja confundido com "tique nervoso", manifestação semi-voluntária em que a pessoa consegue controlar o gesto. Já a distonia é uma doença neurológica, que produz contrações musculares involuntárias em determinadas regiões do corpo.

Além das limitações físicas, a doença afeta a autoestima, provocando graus de ansiedade e depressão. "Em alguns casos, o problema leva ao isolamento do convívio social, pois estes pacientes ‘chamam a atenção’ por seus movimentos involuntários, e o stress acaba fazendo com que os movimentos se intensifiquem", assinala o Dr. Becker.

Como consequência, o portador de distonia pode ficar impossibilitado de andar, dirigir e realizar atividades básicas como tomar banho, escovar os dentes ou comer.

No trabalho, os impactos podem ser ainda mais prejudiciais, já que os portadores de um tipo de distonia conhecida como cãibra do escrivão têm impossibilidade de escrita e digitação. Casos mais graves de distonia nos olhos, como o blefaroespasmo (contrações involuntárias do músculo que controla as pálpebras), por exemplo, podem levar à cegueira funcional.

Os espasmos podem afetar pequenas regiões do corpo, como olhos, pescoço ou mão (distonias focais); pescoço e braço (distonias segmentares); um lado inteiro do corpo (hemidistonia); ou todo o corpo (distonia generalizada).

Tratamento

Não existe cura para a distonia, mas há tratamentos disponíveis que auxiliam na melhora da qualidade de vida dos pacientes. As técnicas empregadas dependem do tipo de distonia: os pacientes podem fazer uso de medicamentos via oral e, em alguns casos, o médico pode considerar a indicação do tratamento cirúrgico.

Um dos tratamentos mais eficazes e seguros para a distonia em adultos é o uso da toxina botulínica tipo A. Aprovado pela ANVISA desde 1992, o medicamento é injetado diretamente nos músculos, inibindo a liberação de um neurotransmissor (acetilcolina) que envia a mensagem do nervo para o músculo, promovendo a contração muscular.

A aplicação da toxina botulínica ameniza contrações, dores e ajuda a corrigir a postura, proporcionando mais qualidade de vida aos pacientes. "A substância revolucionou o tratamento das distonias", afirma Becker. "Quando injetada adequadamente, apresenta resultados eficazes em até 90% dos casos de blefaroespasmo, distonia cervical e espasmo hemifacial".

O tratamento com a toxina botulínica é reembolsado pelos planos de saúde, de acordo com a Lei 9.656/98, que garante a cobertura de todo o procedimento médico.

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