Dicas para uma gravidez de três fases

Dicas para uma gravidez de três fases

Atualizado: Segunda-feira, 4 Maio de 2009 as 12

O planejamento familiar deve ser considerado pelo casal antes da concretização da gravidez. Nesta fase, uma conversa franca entre os futuros pais pode estabelecer as suas expectativas e garantir a segurança emocional e uma gestação tranquila. O casal precisa se preparar, pois além dos 9 meses de gestação, os especialistas também recomendam três meses de acompanhamento prévio, essencial para garantir a saúde da mãe e do bebê. A seguir, o ginecologista e obstetra Guilherme Loureiro Fernandes, Professor responsável pelo setor de Medicina Fetal da Faculdade de Medicina do ABC e Mestre em Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (EPM) - Unifesp comenta algumas dúvidas sobre o período que compreende a pré-concepção e o pré-natal.

1. Quais são as fases que permitem uma gravidez plena?

Guilherme Loureiro Fernandes - Para que a gravidez ocorra de forma planejada, o primeiro passo é o casal procurar um médico antes da concepção. Nesta fase, os futuros pais se preparam emocionalmente para a chegada do bebê e passam por uma avaliação clínica com a realização de alguns exames laboratoriais, que visam diagnosticar possíveis alterações existentes no organismo materno, que possam aumentar as possibilidades de malformações, abortamentos e antecipação do parto. A segunda fase contempla a gestação, que também necessita de um acompanhamento especializado. Este período é marcado pelo início dos exames pré-natal, essencial para avaliar preventivamente a condição do bebê e detectar problemas na saúde da mãe. Os exames de rotina recomendados a cada trimestre gestacional contemplam análises do sangue, ultra-som, curva glicêmica, entre outros. Quando se inicia a terceira fase, o casal já está com o esperado bebê inserido em sua rotina familiar, e neste momento, as consultas médicas também precisam ser agendadas para o novo membro da família, que deve receber a amamentação exclusiva até o sexto mês de vida.

2. A mulher precisa mudar os hábitos alimentares durante a gravidez?

G. L .F - A adequação nutricional é importante para garantir ao bebê todos os nutrientes essenciais para o seu desenvolvimento, e ainda, garantir uma gestação tranquila, sem a ocorrência de anemias, hemorragias e diabetes gestacional. No entanto, o censo comum de que é necessário “comer por dois”, é equivocado, pois nesta fase é importante que a alimentação tenha mais qualidade do que quantidade. Para uma melhor digestão, recomenda-se a divisão das refeições em seis a oito vezes ao dia, preparadas com ingredientes que são fontes de proteínas, ferro, cálcio e ácido fólico, preferencialmente com um baixo teor de gordura. Alguns alimentos que trazem estes benefícios são a carne vermelha que possui proteínas e ferro, os laticínios em geral que contêm cálcio e os vegetais verdes escuros, cereais, leguminosas e ovos, que são ricos em ácido fólico.

3. Qual o papel das vitaminas prescritas por médicos antes da gravidez?

G. L. F. - Existem diversos estudos científicos que comprovam que a suplementação de vitaminas cerca de 3 meses antes da gravidez, diminui a ocorrência de várias malformações fetais. Desta forma, as vitaminas são prescritas para suprir as atividades fisiológicas que surgem com a gravidez, período em que ocorre um aumento das necessidades nutricionais diária. Para uma maior eficiência o suplemento precisa ter nutrientes como sais minerais, oligoelementos e vitaminas A, B1, B2, B6, B12, C, D, E, niacina, ácido fólico, cálcio, ferro e zinco (composição de NATELE®, da Bayer Schering Pharma), além de ser desenvolvido especialmente para mulheres que pretendem engravidar.

4. As vitaminas também trazem benefícios para a saúde da mulher grávida?

G. L. F. - O estado nutricional é um dos principais determinantes da saúde e do bem-estar da grávida. Além disso, é comprovada a relação entre o estado nutricional materno e o desenvolvimento do feto. A deficiência de micronutrientes (vitaminas e sais minerais) pode ocorrer até mesmo em gestantes saudáveis, que se alimentam adequadamente, sendo a suplementação de vitaminas importante para a redução significativa da incidência de malformações neurológicas, cardíacas, faciais, urinária ou defeitos de membros. Há também evidências que comprovam a diminuição da incidência de abortamentos, pré-eclâmpsia (alta pressão arterial, retenção de líquidos e presença de proteína na urina, com sintomas que podem evoluir para convulsão e coma), diabetes gestacional, trombose e nascimentos prematuros.

5. Mulheres que estão amamentando podem continuar com o uso de vitaminas?

G. L. F. - Sim, os suplementos polivitamínicos desenvolvidos especialmente para mulheres grávidas e em fase de amamentação também são importantes para enriquecer a qualidade do leite materno. Durante a gestação, o feto recebe os nutrientes maternos ainda na placenta e ao nascer, este processo continua, porém a transferência para o bebê ocorre durante a amamentação. Bons índices de vitaminas na lactação, como as do complexo B, auxiliam no desenvolvimento físico e mental da criança, permitindo um crescimento saudável, com funções motoras adequadas e um futuro desempenho escolar satisfatório.

6. As vitaminas engordam a mulher?

G. L. F. - Não há comprovação científica, seja com mulheres em período de pré-concepção, grávidas ou em fase de amamentação, que demonstrem que as vitaminas engordam. Pelo contrário, o consumo de polivitamínicos durante as três fases da gravidez trazem inúmeros benefícios para a mãe e o bebê. Caso a mulher comece a engordar em excesso durante a gravidez, deve consultar o seu médico para constatar causas relacionadas, por exemplo, ao metabolismo, sedentarismo, possíveis alterações hormonais, entre outros fatores.

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