Dieta sem glúten vale a pena?

Dieta sem glúten vale a pena?

Atualizado: Sexta-feira, 17 Janeiro de 2014 as 12

Cerca de 1,5 milhão de americanos aderiram a dieta sem glúten, divulgado pelo estudo renomado da Clinica Mayo, o que indica 20% das pessoas que procuraram sob indicação médica para tratar doenças e garantir energia e bem-estar. Trata-se de uma dieta rigorosa, onde massas não tem vez, incluindo o arroz..

Essa onda chegou ao Brasil, onde se popularizou não só pela alegação de que melhora a saúde como pela crença de que emagrece. Basta saber se esse tipo de alimentação serve para qualquer pessoa.
 
"Não há comprovação científica de que o glúten faz mal para todo mundo nem de que sua retirada do cardápio traga os ganhos prometidos", responde o nutricionista Thiago Sacchetto, mestre em ciências da saúde e conselheiro efetivo do Conselho Regional de Nutrição 3ª Região, responsável pelos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. 
 
De frente a essa nova dieta, a entidade emitiu no ano passado um parecer contrário à restrição indiscriminada da proteína, encontrada no trigo, na cevada, no centeio, no malte, em vários tipos de aveia e nos alimentos derivados desses cereais - massas, pães, biscoitos, bolos, tortas, pizza, cerveja, uísque - e adicionada pela indústria a molhos, temperos, embutidos, barras, medicamentos e batons (para deixá-los mais viscosos). O documento aconselha a eliminação do glúten somente se houver diagnóstico de enfermidades decorrentes do consumo. É o caso da alergia ao trigo, que surge na infância e pode regredir na idade adulta. Quem tem responde às proteínas contidas em cereais (o glúten é uma delas) com erupções na pele, desconforto intestinal, espirros e até choque anafilático.
 
dieta sem glutenOutro fator é a doença celíaca, em que as células imunológicas reagem ao glúten causando uma inflamação que danifica a mucosa intestinal. "Os sintomas são inchaço no abdome, diarreia volumosa e dificuldade para absorver os nutrientes dos alimentos, o que pode levar à desnutrição grave", informa a imunologista Ana Paula Moschione Castro, diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia. E os celíacos têm maior risco de osteoporose, anemia, alterações no peso, fadiga, dores musculares, problemas articulares, erupções na pele, distúrbios neurológicos e infertilidade. Um exame de sangue identifica a doença, mas, como nem sempre os sintomas são intensos, a pessoa pode demorar anos para ir ao médico. "A cada cinco ou seis doentes, só um tem o quadro detectado", estima o gastroenterologista Joseph Murray, coautor do estudo da Clínica Mayo. Para o celíaco, riscar o glúten evita todas essas complicações.
 
Sem contar que há a sensibilidade ou intolerância ao glúten, quadro pouco reconhecido e tratado, que pode ser seis vezes mais frequente do que se imagina. "A intolerância ao glúten ainda é um capítulo nebuloso", diz Ana Paula. "Pode haver inchaço abdominal, gases, crises inexplicáveis de diarreia ou má digestão e sensação de que o intestino não funciona bem." O paciente, apesar de o teste para a doença celíaca dar resultado negativo, relata alívio de sintomas após reduzir o consumo de glúten. E as melhoras aí não são só digestivas mas respiratórias (rinite e sinusite), articulares (dores crônicas), de memória e outras funções cognitivas. Então, embora não seja unânime, a dieta pode ser indicada nesses casos. De acordo com a  farmacêutica e nutricionista funcional Lucyanna Kalluf, do Instituto de Prevenção Personalizada, em São Paulo, o estilo de vida atual, com exposição a agrotóxicos, contato frequente com antibióticos e consumo excessivo de comida industrializada, aumenta os riscos de se tornar intolerante, mas ela acredita que restringir o glúten evitaria problemas futuros (ideia que não é consenso entre os especialistas!). "A dieta desinflama, reduz o inchaço, favorece a digestão e acelera o metabolismo. E emagrecer é consequência."
 
 
Com informações de: CLAUDIA

 

veja também