Diferença entre Alzheimer e o Mal de Alzheimer

Diferença entre Alzheimer e o Mal de Alzheimer

Atualizado: Quarta-feira, 22 Setembro de 2010 as 10:38

Você já leu ou assistiu a uma reportagem sobre o Alzheimer. As estatísticas mostram que muitos dos nossos queridos na terceira idade estão sujeitos, ou propensos ao mal e quanto mais aumenta a possibilidade de longevidade mais próximos desta experiência que se torna dolorosa para os que estão em volta.

Mas você saberia diferenciar as expressões acima descritas? Não encontramos definições específicas em dicionários. Esta distinção é percebida na vida. Estou em processo de descoberta da sutil diferenciação.

Vi um filme nestes dias, (Irís) narrando a história de um casal em que a mulher no pico do reconhecimento do seu trabalho, diante de uma câmera de TV em um programa ao vivo, simplesmente não consegue associar idéias para responder a uma pergunta sobre o seu próprio livro. À partir daí, a síndrome começa a se manifestar em suas particularidades. Mas não era o Mal de Alzheimer. Era apenas Alzheimer. Mal de Alzheimer é quando estou perto de uma pessoa que está desenvolvendo a crise. Quando participo da vida dela. Quando estou junto. É quando vou visitá-la, e passo pelo menos mais de sessenta minutos junto dela. Vendo pelo vídeo é apenas Alzheimer. Não há mal nenhum.

Alzheimer é quando sei que um parente está tendo pequenas perdas de memória. Mal de Alzheimer é quando eu o acompanho ao Geriatra e ele me mostra os detalhes na radiografia. Seu cérebro está sendo consumido e as funções vitais de cada elemento paralisado deixará de funcionar.

Alzheimer é quando sei que o pai de minha paciente está com a função de engolir, engolida. Fizeram um buraco no seu pescoço para a comida descer. Nunca mais ele vai sentir sabor nem engolir nada. Mal de Alzheimer é ver o meu próprio pai com um docinho na mão tentando levá-lo à boca, mas morde o dedo em três tentativas. Não consegue mais colocá-lo na boca com aquela mão que está visivelmente perfeita. É mal. É difícil assimilar quando temos que explicar e vivenciar o processo.

Alzheimer é eu estar falando para vocês da síndrome. Mal de Alzheimer é o que ele deve sentir ao perceber que está perdendo a si mesmo. Que sua mão já não consegue acertar a boca, mesmo que se aproxime do rosto. Que sua visão está perfeita mas se cérebro não recebe informações que ela envia. Que ele errou o prato com o garfo várias vezes, e os netos estão fingindo não ver. Deve ser mal lembrar que o tempo é tão curto agora entre perceber cada função desativada e outras que ele nem vai perceber mais. Preso em si mesmo. Muita saúde e nenhum controle sobre ela. Sobre as emoções ou sobre a expressão delas. Isto é o Mal, o resto é informação sobre uma síndrome.

Não posso deixar de dar uma última distinção: visitá-lo duas vezes por semana como um beija-flor, é acompanhar à distancia a sindrome de Alzheimer que meu pai desenvolve. Estar com ele todo o tempo como minha mãe faz é conhecer em toda extensão o mal de Alzheimer. Meu carinho e admiração aos dois.

Cleydemir de Oliveira Santos

Psicólogo Clínico

Cleydemir Santos   é pastor, psicólogo, escritor e teólogo em Minas Gerais. Trabalha com uma abordagem sistêmica, psicodramática, no atendimento de adultos e crianças.  

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