Dificuldade de andar é principal problema ortopédico de obesos

Dificuldade de andar é principal problema ortopédico de obesos

Atualizado: Sexta-feira, 14 Março de 2008 as 12

O Brasil tem cerca de 18 milhões de obesos. Somando o total de indivíduos acima do peso, o montante chega a 70 milhões, o dobro do que há três décadas. É bom lembrar que obesidade é mais que um problema estético, é doença. Vários problemas médicos graves têm sido relacionados à obesidade, incluindo o diabetes tipo 2, doenças do coração, pressão alta, câncer etc. Mas o que poucas pessoas atentam são os problemas ortopédicos.

Segundo o Dr. Leandro Gregorut, ortopedista do Núcleo de Ortopedia e Traumatologia São Camilo Ipiranga, a principal queixa relacionada à obesidade é a dificuldade de andar por dores articulares. "Os nossos músculos e articulações foram projetados para suportar até um limite fisiológico de sobrecarga. Caso a pessoa não fortaleça sua musculatura, o sobrepeso nas articulações irá causar algum problema", alerta o Dr. Gregorut.

As patologias mais comuns relacionadas à obesidade são as lombalgias, as tendinites, as artrites e as artroses, que podem afetar os quadris, os joelhos, os tornozelos e a coluna lombar.

Tendinites: Os músculos são os motores do nosso esqueleto. A sua porção que se insere no osso é chamada de tendão. Todo músculo tem uma capacidade de realizar até um certo grau de esforço, mas na maioria das vezes essa capacidade é subutilizada. Digamos que em uma pessoa com o peso normal o quadríceps (músculo da parte anterior da coxa) usa 30% de sua força para subir uma escada. Conforme vamos envelhecendo e ganhando peso a massa muscular diminui e conseqüentemente é mais exigida, ou seja, em uma pessoa com sobrepeso somos necessários 50% da força muscular para subir uma escada e um obeso 80%.

Segundo o Dr. Gregorut, com o aumento da demanda muscular os tendões são mais solicitados ficando suscetíveis a inflamações, ou seja, com dificuldade para realizar a atividade exigida com folga e ter tempo para retornar ao seu estado natural. "Por isso, que pessoas obesas têm dores nos joelhos que pioram no decorrer do dia ficando até com dificuldade de dormir, mas acordam sem dores, pois os tendões tiveram um tempo hábil de descansar durante o repouso noturno", informa o médico.

Artrites e artroses: Artrite é o nome dado a inflamação de uma articulação e artrose é o nome dado ao desgaste dessa articulação. Toda articulação do nosso corpo é revestida por uma camada de cartilagem que tem a função de diminuir o atrito entre os ossos, facilitar e amortecer o impacto gerado pelo movimento. As principais articulações atingidas pela artrite e pela artrose são os quadris, os joelhos e os tornozelos, ou seja, as articulações que suportam todo o peso do corpo. "Quando a cartilagem é submetida a um peso excessivo ela começa a sofrer alterações degenerativas e inflamatórias (artrite)", diz o médico. Com o tempo essas alterações inflamatórias vão desgastando a cartilagem que evolui para uma artrose. A artrite tem cura, mas a artrose não. "Não há como reverter a artrose e os tratamentos são paliativos que irão, na melhor das hipóteses, tirar ou adiar a dor do paciente".

Lombalgias: é muito comum a queixa de lombalgia em pacientes com sobrepeso e obesidade. A causa mais comum é o enfraquecimento da musculatura. Segundo o Dr. Gregorut, os músculos que se inserem na nossa coluna são responsáveis por manter o equilíbrio corporal. Quando estão fracos não conseguem atender a demanda exigida no dia-a-dia, principalmente em pacientes obesos, inflamando e causando dores que vão piorando no decorrer do dia. "Normalmente as dores melhoram com o repouso e o uso de calor local", ensina o médico.

Para o Dr. Gregorut, todas as patologias ortopédicas melhoram com a perda de peso. "Trata-se de uma questão de mecânica, ou seja, quanto menor o peso, menor a força exigida dos músculos, tendões e articulações e com isso há um facilidade de eles realizarem as tarefas diárias sem se sobrecarregarem", afirma, acrescentado que a recomendação é procurar um ortopedista assim que algum sintoma aparecer, "pois o diagnóstico preciso é fundamental para um tratamento correto".

Postado por: Claudia Moraes  

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