Dispense fogão e micro-ondas para provar os sabores e benefícios da chamada alimentação viva, ou raw food

Dieta baseada em alimentos crus aumenta a energia

Atualizado: Terça-feira, 11 Setembro de 2012 as 10:04

Dispense fogão e micro-ondas para provar os sabores e os benefícios da chamada alimentação viva, ou raw food, como é conhecida internacionalmente. Ela é baseada no consumo de verduras, frutas, raízes e legumes crus e frescos, além de castanhas, sementes e grãos geralmente germinados. Os alimentos podem ser aquecidos até 42oC, no máximo.

“Estudos comprovam que acima desta temperatura, eles perdem vitaminas, proteínas e enzimas, que são compostas de várias proteínas. Isso prejudica a assimilação dos nutrientes e a digestão, pois o organismo terá que usar as próprias enzimas para digerir a comida”, afirma a chef internacional e consultora Manuela Scalini.

“Ao comermos alimentos crus, a digestão é mais rápida e gasta menos energia, que é aproveitada para outras atividades. Passamos a ter muito mais disposição, física e mental”, acrescenta.

A alimentação viva também parte do princípio de que os vegetais têm uma energia vital, que é aproveitada pelo corpo humano, quando consumidos em seu estado natural.

Além disso, é encarada como um recurso eficiente para desintoxicar o organismo, já que se baseia em produtos no seu estado puro, sem conservantes e hormônios. Por isso, são usados alimentos orgânicos, de preferência. Manuela, por exemplo, conduzirá um programa de desintoxicação ao longo de um cruzeiro pela Amazônia em abril de 2013.  

“A raw food regula o aparelho digestivo, promove perda de peso permanente, limpa a pele e os olhos e reduz o nível de colesterol. Como benefícios emocionais, melhora a vitalidade e o humor e aumenta a criatividade, a produtividade e o desejo de cuidar de si e dos outros”, descreve a chef Tiana Rodrigues, do Universo Orgânico, um espaço gourmet no Rio de Janeiro que alia restaurante, bar de sucos e mercado.

Descendente do vegetarianismo

Na alimentação viva, as proteínas são fornecidas por castanhas, sementes e algas. Os carboidratos vêm das frutas e verduras e as gorduras, dos óleos de coco, de linhaça, de gergelim e da manteiga de cacau, entre outros.  

Em geral, os grãos são germinados: coloca-se na água e espera-se nascer os brotos antes de usá-los. Os mais utilizados são aveia, quinoa, trigo sarraceno e amaranto. Já mel orgânico, tâmaras, açúcar de coco, água de coco, stevia e frutas secas sem conservantes são usadas para adoçar. Bananas bem maduras e frutas doces congeladas também adoçam, pois o congelamento acentua o seu sabor.

Descendente do vegetarianismo, esta linha nutricional exclui carnes, embora alguns seguidores façam concessões aos peixes crus. Leites e derivados, farinhas, açúcares, condimentos e, claro, produtos industrializados, processados e modificados geneticamente passam longe das receitas.

Quem se preocupa com germes e bactérias presentes em alimentos crus recebe mais de uma resposta. Alguns adeptos argumentam que o corpo deve produzir as próprias defesas, conforme a linha higienista. Outros lançam mão de alguns recursos para esterilizar alimentos como, por exemplo, o vinagre de maçã, usado com moderação.

Diversidade de combinações

Apesar de haver algumas linhas bem puristas da raw food – uma delas baseia-se no consumo exclusivo de frutas –, é possível desenvolver pratos criativos, saborosos, coloridos e, sobretudo, balanceados, pois incluem carboidratos, proteínas e gorduras naturais.

Espaguete de abobrinha com molho de tomate fresco, patê de castanhas temperado como se fosse ricota, hambúrguer vivo, torta de limão, “brigadeiro” de colher, feito de abacate e cacau, rocambole de frutas e castanhas são alguns exemplos.

As bebidas vão dos tradicionais sucos verdes a variados shakes de frutas e verduras. Leites de castanhas são populares: basta bater a de sua preferência – seja amêndoa, noz, castanha-do-pará ou outra – com água.

Manuela Scalini adota o estilo fusion em seus menus. Ela segue os fundamentos da alimentação viva, mas abre um pequeno espaço para outros elementos como, por exemplo, um pouco de azeite que não tenha sido prensado a frio. Em sua opinião, cada organismo requer uma dose específica de alimentos crus.

Aromas que abrem o apetite

“Procuro criar uma comida gostosa porque não quero que seja encarada como uma dieta nem medida apenas pelas calorias. Ela deve fazer bem e dar prazer”, defende a chef, formada pelo instituto norte-americano Living Light Culinary.

Tiana Rodrigues, que também se formou nos Estados Unidos, pelo Natural Gourmet, se preocupa igualmente em recriar o sabor dos pratos e oferecer texturas e aromas que abram o apetite. Ela os batiza com nomes conhecidos como “empadinha” e “nhoque”, porque são mais familiares às pessoas em geral.

A chef recomenda incluir gradualmente a alimentação viva no cardápio diário. “Para principiantes, o ideal é tomar pelo menos três sucos com germinados e clorofila por dia. A clorofila faz uma limpeza fantástica do sangue, tornando-o alcalino, portanto, mais saudável. Já os germinados fortalecem o sistema imunológico”, afirma ela.

Aos poucos, podem ser acrescentadas saladas, algas e leites de castanhas, que também têm a vantagem de serem fáceis de preparar. Já para quem gosta de exercitar as habilidades gastronômicas, saiba que boa parte dos pratos requer tempo e planejamento, principalmente quando exigem germinação e desidratação de produtos.

Manuela percorre o mundo em buscas de ingredientes. Mas sua última descoberta foi feita no Brasil: a goma do inhame para engrossar molhos, no lugar da castanha de caju. “Além de ser menos calórico, o inhame tem propriedades muito saudáveis, como a regulação dos hormônios femininos, por exemplo. Também tenho feito chips de inhame, desidratando-os”, conta.

Tiana, por sua vez, tem apostado nas sementes de chia e de goji berries (bagas goji, em português). “São riquíssimas em proteína e têm diversas outras qualidades. Minhas novas criações são o leite de castanha, canela, hortelã e chia e o shake Via Láctea, feito com cenoura, maçã, amaranto, quinoa, goji berries, maçã e óleo de coco. As goji berries também fazem parte do molho de tahine do falafel, um dos pratos mais procurados”, relata.


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