Doença do sono é agravada pela poluição

Doença do sono é agravada pela poluição

Atualizado: Quarta-feira, 30 Junho de 2010 as 8:42

A apneia do sono piora em ambientes poluídos e tempo quente. Nesse cenário, as partículas de poluentes ficam suspensas no ar por mais tempo e contribuem para dificultar a respiração de quem sofre da doença.

Essa relação foi estabelecida pela primeira vez em um estudo da Escola de Saúde Pública de Harvard, divulgado neste mês no "American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine".

Sabe-se que tanto a poluição quanto a apneia estão relacionadas ao aumento de problemas cardíacos, mas nunca tinha se verificado uma relação entre ambas.

A apneia do sono se caracteriza por pausas respiratórias à noite. Pode ser causada por obesidade, bronquite e alcoolismo, entre outros fatores, e está ligada a arritmias cardíacas e hipertensão.

O estudo avaliou dados de mais de 3.000 voluntários com mais de 39 anos, submetidos a exames que monitoram o sono do paciente.

Os autores concluíram que elevações de temperatura em qualquer época do ano e a poluição do ar estão associados a maior risco de apneia.

No verão americano, o aumento das partículas de poluição foi relacionado a uma elevação de 13% no risco de apneia, além da redução da qualidade do sono.

"Esse tipo de resultado pode ajudar a controlar melhor os mecanismos que levam às doenças cardiovasculares", diz o pneumologista Pedro Genta, do Centro de Medicina do Sono do Hospital do Coração.

CAUSAS

Um dos mecanismos responsáveis pela relação encontrada na pesquisa seria a inflamação nas vias aéreas causada pela poluição. A parada de respiração durante a noite ocorre pelo estreitamento na garganta. A inflamação pioraria esse quadro.

Outra hipótese é a da interferência da poluição atmosférica na regulação da respiração pelo sistema nervoso.

"Há uma espécie de "receptor de irritação". Se o paciente respira porcaria, há diminuição de amplitude respiratória. A resposta é parar de respirar", explica o patologista Paulo Saldiva, do laboratório de poluição da Faculdade de Medicina da USP.

Quando a temperatura sobe e a umidade relativa do ar cai -o que é típico do clima de São Paulo no inverno-, há maior concentração de poluentes no ar. Nesse caso, é bom que a pessoa com apneia faça inalação para limpar as vias aéreas.

Os portadores do distúrbio que usam aparelhos específicos para facilitar a respiração à noite devem conversar com os médicos para aumentar a pressão e melhorar os filtros dessas máquinas.

"Se você procurar esses pacientes, eles lhe dirão que os filtros ficam pretos nessa época do ano", diz Saldiva.

Por: Gabriela Cupani e Julliane Silveira

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