Doença pulmonar prejudica a vida profissional

Doença pulmonar prejudica a vida profissional

Atualizado: Sexta-feira, 25 Abril de 2008 as 12

A DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) é um problema grave que afeta principalmente fumantes e ex-fumantes com mais de 40 anos. Além da forte presença de sintomas respiratórios crônicos, como tosse, produção de catarro e falta de ar progressiva, uma das principais complicações da doença é a limitação das atividades diárias. Para quem está em plena atividade profissional receber esse diagnóstico tende a ser assustador, uma vez que a DPOC pode levar a um pedido de afastamento ou até mesmo à aposentadoria precoce, dependendo da profissão exercida. Nos casos em que o trabalho é mais administrativo, o efeito demora a ser percebido, mas para profissionais que dependem das atividades do dia-a-dia para formar sua renda - como taxistas, diaristas, vendedores e profissionais liberais - o impacto certamente é maior.

"Em geral o paciente chega ao consultório com um quadro de DPOC avançada, de tal forma que a doença já o levou ao afastamento do trabalho e até mesmo à limitações das atividades rotineiras dentro de casa", afirma a pneumologista Iara Nely Fiks, professora da Faculdade de Medicina do ABC. A médica ressalta a importância da realização de exames diagnósticos preventivos, que detectam a doença logo no estágio inicial, quando o tratamento é mais efetivo.

Além de interferir na produtividade, a DPOC também leva a um número maior de faltas no trabalho. "Em média, um portador passa por três a quatro crises por ano, sendo que cada uma leva a cerca de sete dias de internação, se tratada em tempo. Basta fazer as contas para ver o quanto isso interfere na vida profissional", explica a médica. Outro fator importante é o impacto na família, já que muitas vezes é preciso que alguém deixe de trabalhar para cuidar do paciente. Quando o portador é o principal provedor é necessária a mobilização de todos, que precisam aprender a lidar com uma nova realidade.

A DPOC é a quinta maior causa de morte de adultos no Brasil, com 39 mil óbitos por ano - mais de quatro brasileiros a cada hora - segundo o Datasus (Ministério da Saúde). Estima-se que a doença afete mais de 5,5 milhões de pessoas no País. Apesar da alta prevalência, a DPOC é pouco conhecida e é comum não ser identificada no início, já que os sintomas são facilmente confundidos com os de outros problemas respiratórios.

Tratamento

Embora ainda não tenha cura, a DPOC pode ser controlada com medicamentos broncodilatadores, entre eles o brometo de tiotrópio, primeira substância desenvolvida especialmente para o tratamento da doença. Como a medicação é inalável e tem efeito de 24 horas, o tratamento torna-se simples para o paciente, melhorando a qualidade de vida e reduzindo o número e a intensidade das crises, bem como possibilitando mais liberdade, uma vez que não interfere na rotina do paciente e da família. Disponível no Brasil desde 2003, o medicamento pode ser encontrado na rede pública de saúde de algumas regiões como São Paulo, Pernambuco e Brasília.

Por ser progressiva e incapacitante se não tratada adequadamente, a DPOC pode levar a dificuldades para realizar atividades como caminhar, subir escadas e, em estágios mais avançados, até para tomar banho, vestir-se ou comer. Para minimizar o impacto da doença, além da medicação, outras medidas devem ser tomadas, começando por parar de fumar, iniciar um programa de exercícios de reabilitação pulmonar e, em alguns casos, recorrer à oxigenoterapia.

Dicas para conviver melhor com a DPOC

Com a chegada dos dias secos e frios do inverno, as crises de DPOC tendem a aumentar, mas algumas dicas simples podem ajudar a evitá-las e melhorar a condição geral do paciente:

Vacinar-se contra a gripe e pneumonia; Tratar-se adequadamente com os medicamentos prescritos pelo pneumologista; Seguir uma alimentação saudável, com frutas, vegetais, grãos e proteínas; Manter o ambiente arejado. Dar preferência a abrir as janelas, a ligar o ar condicionado; Beber bastante líquido, principalmente nos dias mais secos; Ficar longe da fumaça do cigarro e de locais com muita poluição ou poeira; Acima de tudo, não fumar.  

Postado por: Claudia Moraes

veja também