Doenças da primeira infância

Doenças da primeira infância

Atualizado: Segunda-feira, 13 Setembro de 2010 as 12

Conheça os males mais freqüentes dos primeiros anos de vida. Nem todos costumam ser graves, mas exigem cuidados, como todas as outras doenças, para que não acarretem seqüelas ou outras complicações.  

Catapora

A catapora, também chamada de varicela, é uma das doenças mais comuns da primeira infância. A transmissão de seu vírus (que aparece com mais freqüência no outono e na primavera) acontece por contato direto. O período de incubação é de 14 dias e o contágio se dá entre três e quatro dias antes do aparecimento da primeira bolhinha na pele até o completo ressecamento da última, quando ela se transforma numa casca escura (em geral depois de sete ou oito dias). Uma de suas principais características é a grande variedade de formato das lesões no mesmo momento, o que não acontece com outras doenças cujos sintomas também aparecem na pele, como sarampo e rubéola, por exemplo, e cujas lesões se apresentam no mesmo estágio de desenvolvimento.

Apesar de não ser grave e de normalmente ocorrer de forma atenuada se a criança tiver sido vacinada (contra varicela, lembre-se!), a catapora exige alguns cuidados: o tratamento das próprias lesões, ou seja, as vesículas de água. Elas coçam bastante e muitas vezes, ao coçar, se a criança não estiver com as unhas bem limpas, poderá provocar uma infecção por bactéria nas feridas. Prevenir o problema é simples: corte as unhas de seu filhote bem rente e escove-as várias vezes por dia com sabonete comum.

Se a coceira for exagerada, o pediatra poderá receitar, além de um antialérgico, banhos de imersão com permanganato de potássio, que aliviam o incômodo.

As complicações da catapora, ainda que bem raras, são pneumonia e encefalite. Portanto, não deixe de informar o médico sobre qualquer alteração no estado geral da criança.

Sarampo

Esta doença também é provocada por vírus. A incubação dura entre 10 e 12 dias e o contágio acontece pelas gotinhas de saliva suspensas no ar. Os primeiros sintomas - antes que as manchas apareçam na pele - são os chamados "três catarros": nasal, ocular e bronquial. Ou seja, a criança pode apresentar rinite, conjuntivite e bronquite catarral, todos acompanhados de febre. Isso normalmente acontece alguns dias antes do aparecimento do sarampo propriamente dito, as famosas "bolinhas" vermelhas na pele, que também costumam coçar muito. Além disso, pode provocar dores de cabeça intensas, dores abdominais, musculares, vômito e sonolência, especialmente se a criança não tiver sido vacinada.

As manchas na pele costumam aparecer inicialmente atrás das orelhas e no couro cabeludo, fazendo um percurso em direção aos membros inferiores. Quando a criança começa a ficar curada, o trajeto se repete: vai da cabeça em direção aos pés.

Essa doença costuma apresentar complicações mais freqüentes que as da catapora, como pneumonia, por exemplo, mas a conduta durante o período da doença mudou muito. Portanto, esqueça aqueles cuidados do tempo da vovó! Não há necessidade de evitar luz no ambiente - como era hábito antigamente - e muito menos providenciar a aquisição de lâmpadas infravermelhas para os legendários "banhos de luz". Deixe seu filho de repouso em casa, mas não exija que fique enclausurado no quarto.

O sarampo em geral dura em torno de dez dias - entre o começo dos catarros e a cura completa. Mas as crianças previamente imunizadas costumam passar pelo sarampo de forma muito mais rápida e amena.

Rubéola

Esta é outra doença provocada por vírus e tem um período de incubação de 14 a 21 dias. Saiba que ela não avisa antes de chegar, ou seja, seu filho não apresentará sintomas prévios como no caso do sarampo. E há, ainda, casos tão suaves da doença que às vezes ela passa despercebida, como se fosse uma gripe.

Os sintomas mais freqüentes da rubéola típica, ou seja, da criança que não foi vacinada, são febre e exantemas (manchas avermelhadas) na pele, que duram em geral de três a quatro dias.

O contágio, como todas as outras doenças virais, se dá pelas gotinhas de saliva suspensas no ar, e o período em que ele ocorre é de uma semana antes do aparecimento da primeira manchinha (ou seja, impossível evitá-lo!) e continua por até cinco dias após o início da erupção cutânea.

Durante o período em que estiver doente, a criança poderá apresentar dores articulares e pequenas hemorragias na pele.

Roséola

Apesar de muito parecida com a rubéola, a roséola difere em alguns sintomas: a criança apresenta febre durante três dias, um pouco de coriza e indisposição geral. Normalmente fica mal-humorada e inapetente. No terceiro dia de febre - ou até quando a febre já desapareceu - é que as manchas aparecem na pele.

Escarlatina

É a única doença exantemática, ou seja, com manchas na pele, provocada por bactéria (estreptococo beta-hemolítico do grupo A) e portanto exige tratamento com antibiótico. Uma criança que começa a apresentar infecção de garganta, febre e manchas e aspereza na pele com características bastante específicas (nas regiões das dobras, nos cotovelos, nas axilas, na virilha) muito provavelmente está com escarlatina. Não existe vacina contra ela. Este é um dos casos de doença infecto-contagiosa em que as escolas devem avisar os pais dos outros alunos para que a classe inteira possa se submeter a um tratamento profilático com antibiótico para evitar o contágio.

Como conseqüência da doença, a pele descasca como a de uma cobra, e, no fim, deve-se proceder a exames de laboratório para investigar se a bactéria foi realmente debelada. Quando ela continua ativa - mesmo que silenciosamente -, pode acarretar seqüelas como febre reumática e nefrite.

Eritema infeccioso

Também conhecida como parvovirose humana, nada tem de semelhante com a parvovirose comum aos animais domésticos não vacinados. Esta doença é bem típica da primavera, é pouco contagiosa e, acredite, tem uma franca preferência pelo sexo feminino.

Ela começa com uma incubação que vai de 5 a 12 dias. Sua primeira manifestação é uma mancha vermelha nas bochechas, que aumenta até ficar bem brilhante, espalhando-se ao redor do nariz e da boca, compondo uma figura parecida com a de uma borboleta. À medida que as manchas vão se espalhando pelo corpo, formam-se verdadeiras "rendas" avermelhadas na pele. As lesões aumentam e diminuem conforme a atividade da criança. Se ela fica muito tempo sob o sol, as manchas se intensificam.

Na sombra, tendem a diminuir. O eritema infeccioso não exige grandes cuidados nem oferece perigos para a criança.

Caxumba

Esta é uma das poucas doenças da infância que não apresentam quaisquer lesões na pele. Atinge algumas glândulas, especialmente as parótidas (que ficam abaixo das orelhas e são as formadoras da saliva), mas pode chegar ao pâncreas, aos testículos e aos ovários dos meninos e meninas, respectivamente. E, acredite, aquela lenda de que a inflamação pode "descer" para os testículos e ovários se a criança não fizer repouso não é verdade. Isso tende a acontecer apenas com pessoas mais velhas. O ideal é que a criança faça um repouso relativo e evite esforços físicos. O máximo de seqüela esperado é a pancreatite.

Os sintomas da caxumba clássica são dores intensas ao engolir. Ela pode aparecer num único lado ou nos dois, dependendo da criança e, em geral, do primeiro indício da inflamação até o final, dura de cinco a sete dias. Casos excepcionais de parotidites devem contar com acompanhamento do pediatra e exames de laboratório.

Meningite

Pode-se chamar de meningite toda inflamação provocada por vírus, bactérias, fungos ou outros agentes que atinjam as meninges, as membranas que envolvem nosso cérebro. Quando essa membrana fica inflamada, contamina o liquor encéfalo-raquidiano, que vai para a espinha, por isso o diagnóstico é feito justamente por meio de um exame do liquor retirado da espinha. É ele que vai determinar o tipo de meningite.

A meningite viral, apesar de não ser grave, requer alguns cuidados, nem sempre hospitalares. A bacteriana, no entanto, exige muita atenção e cuidados com as seqüelas, principalmente no caso de recém-nascidos, por atingir uma região ainda em formação. Entre as bactérias, a mais grave e a que mais aparece em surtos epidêmicos é a meningocócica. Em geral ela aparece nos meses mais frios do ano e o contágio se dá pela saliva.

A meningite meningocócica começa com febre, dor de cabeça progressiva e rigidez na nuca. Em geral, a pele sinaliza pequenas hemorragias, com manchas de tom avermelhado. Se o diagnóstico for feito rapidamente, a criança costuma reagir bem ao tratamento hospitalar e fica completamente curada num período de cerca de uma semana. E as pessoas que tiveram contato direto com o doente devem procurar orientação médica para um tratamento preventivo contra a ação da bactéria. Existe vacina contra o meningococo, mas ela deve ser tomada sob prescrição médica.  

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