Dores do crescimento

Dores do crescimento

Atualizado: Quarta-feira, 30 Abril de 2008 as 12

Os médicos afirmam que crescer não dói, mas algumas crianças - principalmente entre quatro e nove anos - sofrem de uma síndrome conhecida de "dores do crescimento". Ela consiste no aparecimento de dores principalmente nos membros inferiores como coxa, joelho, perna e panturrilha. Apesar das reclamações dos pequenos, é um problema que não aparece em exames.

De acordo com o chefe do Serviço de traumato-ortopedia do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), Antonio Vitor de Abreu, essas dores ocorrem principalmente no fim da tarde e à noite e o diagnóstico é feito por exclusão. "Quando se esgotam todas as possibilidades de doenças nas articulações e musculares, diagnosticamos dores do crescimento", explica.

O Dr. Antônio, que também é professor do departamento de Ortopedia da Faculdade de Medicina, informa que "dor do crescimento" não é considerada doença e que não é genético. "Normalmente, é o perfil emocional que acaba justificando esse comportamento. Quase sempre são crianças com alguma carência. Os pais normalmente ficam aborrecidos, pois acham que dão todo o carinho. Na verdade, são crianças que querem mais e isso não quer dizer que recebam pouco afeto. São aquelas que têm irmãos mais novos e que estes recebem mais atenção ou que estão passando por alguma necessidade. Esse perfil sempre está presente. Há uma situação emocional que a gente acredita que leve a criança involuntariamente a sentir dor. Mas não é mentira, efetivamente as crianças sentem dor. Mas a gente procura todas as possibilidades físicas e não encontra", ressalta.

Quando os pais chegam com o filho com esse problema, o primeiro passo dos médicos é acalmá-los. "Os pais ficam preocupadíssimos e é uma forma de a criança chamar atenção. Em compensação, devem dar o carinho que a criança está pedindo. Qual é o tratamento? Massagem, antiinflamatório e analgésicos. É uma forma também de dizer que está acreditando e dando atenção àquela criança. De nenhuma forma, a gente põe dúvida ao que a criança está sentindo, porque na verdade ela sente. Só que são mecanismos que não são físicos, não aparecem em exames", esclarece.

Dr. Antonio tranqüiliza os pais, informando que a dor do crescimento não deixa deformidades e não atrapalha o desenvolvimento da criança, mas orienta que, surgindo os sintomas de dores, é necessário que se procure um especialista. "O diagnóstico deve ser feito pelo médico, pois a criança precisa fazer os exames necessários para que haja a certeza de que não se trata de outra doença", diz.  

Postado por: Claudia Moraes

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