Efeito colateral não compensaria eventual benefício do Tamiflu em crianças

Efeito colateral não compensaria eventual benefício do Tamiflu em crianças

Atualizado: Segunda-feira, 10 Agosto de 2009 as 12

Crianças não devem ser medicadas com frequência com remédios contra a gripe como o Tamiflu porque não há evidência de que possam de fato impedir complicações. Além disso, efeitos colaterais potencialmente prejudiciais podem superar eventuais benefícios. As conclusões, de pesquisadores da Universidade de Oxford, foram divulgadas nesta segunda-feira, 10 de agosto, no "British Medical Journal".

Liderados por Matthew Thompson, os especialistas afirmam que os antivirais abreviam a gripe nas crianças em cerca de um dia, mas não evitam ataques inflamatórios das vias aéreas nem reduzem a probabilidade de que seja preciso tomar antibióticos. A análise foi baseada na revisão sistemática de sete estudos clínicos que avaliaram o uso de Tamiflu (da Roche) e Relenza (da GlaxoSmithKline) por crianças de um a 12 anos de idade em surtos de influenza sazonal. Segundo Thompson, "não há razão" para argumentar que suas conclusões não sejam aplicáveis à nova gripe.

O estudo recomenda que, considerando a baixa taxa de mortalidade da pandemia, uma "estratégia mais conservadora" na prescrição do remédio seria um caminho mais "prudente", tendo em vista a limitação de dados disponíveis sobre os efeitos da medicação, como vômitos, e o potencial para o desenvolvimento de cepas resistentes de vírus influenza.

Governos ao redor do mundo formaram imensos estoques de Tamiflu e Relenza. As medidas fazem parte dos planos nacionais de redução de danos da pandemia. No caso da Grã-Bretanha, centenas de milhares de doses de Tamiflu foram aministradas a pacientes infectados pelo vírus H1N1 - dos quais a metade era formada por crianças.

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