Embalagens de medicamentos de hipertensão e diabetes mudam de cor pra auxiliar usuários

Embalagens de medicamentos de hipertensão e diabetes mudam de cor pra auxiliar usuários

Atualizado: Quinta-feira, 14 Agosto de 2008 as 12

Antes, blísteres com os comprimidos dos medicamentos mais usados no País, abrangendo 50% da produção total de medicamentos, tinham mesma cor e tamanho, confundindo usuários

Segundo a OMS somente 50% dos usuários tomam seus medicamentos corretamente. Dados do Centro de Assistência Toxicológica de São Paulo - CEATOX revelam que a cada dez casos de intoxicações, quatro são decorrentes do mau uso dos medicamentos.

Após alerta da Sociedade Brasileira de Hipertensão, durante o Congresso Brasileiro de Hipertensão, realizado no ano passado em Recife, os medicamentos de hipertensão e diabetes, que representam mais de 50% do consumo total de medicamentos no Brasil sofrem alteração na embalagem.

Antes, cinco comprimidos eram distribuídos à população em blísteres iguais, confundindo o usuário, na maioria idosos. A Furp - Fundação para o Remédio Popular, maior fornecedora para o SUS, anuncia que a partir de setembro, os remédios terão embalagens diferenciadas.

A reformulação das cartelas e ampla análise feita pela área de desenvolvimento da Fundação resultaram na diferenciação do Captopril (25mg); Digoxina (0,25mg); Glibenclamida (5mg); Hidroclorotiazida (25mg); e Propanolol (40mg). Esses medicamentos são os mais dispensados no Estado de São Paulo por se tratarem de substâncias de uso continuado, utilizados no tratamento da hipertensão e diabetes.

Os blisters passam a ter cores diferenciadas nos chapados dos alumínios e, a partir da segunda quinzena de setembro, serão apresentadas em branco (Propanolol); rosa (Digoxina); lilás (Glibenclamida); verde (Hidroclorotiazida); e alumínio natural (Captopril).

"Estamos muito satisfeitos com esta solução, que a princípio beneficia apenas o estado de São Paulo, e torcemos que os demais estados se sensibilizem para uma questão desta importância. Tratar a pressão alta já é um desafio para a saúde pública e facilitar a dosagem e o medicamento correto para o usuário é um dever do Estado", comenta Dr. Hilton Chaves, secretário da Sociedade Brasileira de Hipertensão e idealizador do projeto.

Na prática, a diversificação das cores dessas embalagens permitirá maior segurança na administração desses medicamentos, principalmente para aqueles que fazem uso diário de mais de uma droga, como é o caso dos idosos. A medida deverá facilitar a distinção entre uma substância e outra, a posologia indicada e os horários corretos da ingestão. Essas diferenciações por si só permitirão reduzir os riscos de efeitos adversos.

"Mas a mudança não se resume na troca das cores das embalagens. Para alcançar o objetivo principal - o de promover maior segurança na administração dos medicamentos -, a orientação sobre a forma correta de utilização do produto é igualmente importante", explica o superintendente da FURP, Ricardo Oliva.

No município de São Paulo, as 21 unidades das Farmácias Dose Certa inauguram a dispensação dentro dos novos padrões. As embalagens estarão nas unidades no final de agosto. Nos demais municípios, os lotes atuais deverão seguir após a segunda quinzena de setembro e à medida que os estoques sejam renovados.

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