Endometriose, a doença silenciosa

Endometriose, a doença silenciosa

Atualizado: Sexta-feira, 21 Outubro de 2011 as 12:45

Uma das principais causas da infertilidade feminina, a endometriose acomete cerca de 7 milhões de brasileiras, segundo dados da Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE). A doença pode se manifestar desde a primeira até a última menstruação. Em geral, ocorre em mulheres entre 20 e 40 anos.

A cada ciclo menstrual o endométrio, tecido que reveste a parede uterina, é eliminado e quando isso não acontece, seus fragmentos se espalham e entopem outros órgãos. A presença desse tecido fora do útero ou na parede abdominal caracteriza a endometriose.

A doença apresenta quatro estágios, do mínimo ao grave, portanto, o diagnóstico precoce é um dos fatores mais importantes para o êxito do tratamento. "Com o diagnóstico tardio, a doença pode avançar e atacar órgãos como o intestino, a bexiga, além de ocasionar a infertilidade", explica o ginecologista Sérgio Podgaec, diretor da SBE e médico do Hospital Israelita Albert Einstein.

Cólicas intensas, sangramentos excessivos, dores durante as relações sexuais, dificuldade para engravidar e alterações urinárias e intestinais durante o período menstrual podem ser indícios da enfermidade.

Segundo Podgaec, hábitos saudáveis possibilitam a boa convivência com a endometriose. "Exercícios físicos, alimentação adequada e uma vida menos estressante também podem auxiliar no tratamento", observa o ginecologista.

A descoberta da endometriose pode levar de 7 a 10 anos, pois 10% das vítimas não apresentam qualquer sintoma e outras não procuram ajuda médica ou não são examinadas devidamente. De 30% a 40% têm dificuldades para engravidar, enquanto 50% das mulheres inférteis sofrem desse mal. O tratamento pode ser cirúrgico, através da laparoscopia ou clínico, com o uso de hormônios, pílulas anticoncepcionais e anti-inflamatórios.

"Quando uma adolescente começa a ter cólica, a família acha normal, a mãe diz para a filha que já teve também, brinca dizendo que quando casar passa e assim a endometriose evolui e ninguém toma providência" , alerta Arnaldo Schizzi Cambiaghi, ginecologista e diretor do centro de reprodução humana do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (IPGO).

O estilo de vida da mulher moderna, que trabalha mais e tem menos filhos, favorece o surgimento da doença. Com o adiamento da maternidade, os ciclos menstruais são mais intensos do que antigamente. Além do mais, o estresse da rotina agitada tende a fragilizar o sistema imunológico.

Ainda de acordo com Cambiaghi, a melhor maneira de prevenção são as consultas ginecológicas regulares. "A mulher chega a ter dores tão lancinantes que fica incapacitada de realizar suas atividades cotidianas. E por causa disso falta no trabalho, na escola, não namora. E tudo isso compromete seu bem-estar", avalia. "Mas com o tratamento adequado dá para atenuar os sintomas e ter qualidade de vida", completa.

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