Entenda o AVC, o problema que mais mata brasileiros

Entenda o AVC, o problema que mais mata brasileiros

Atualizado: Terça-feira, 23 Fevereiro de 2010 as 12

O técnico do São Paulo, Ricardo Gomes, foi internado neste domingo (21) na capital paulista com a suspeita de ter sofrido um pequeno acidente vascular cerebral (AVC), também conhecido como "derrame". Gomes passa bem, segundo boletim médico.

Problemas vasculares no cérebro são os que mais matam brasileiros. Os últimos números do Ministério da Saúde indicam que, de todas as mortes ocorridas em 2006 no país, 9,4% tiveram como causa um AVC.

Artéria interrompida

Segundo a neurologista Gisele Sampaio Silva, do Hospital Albert Einstein, o AVC ocorre quando há problemas de circulação do sangue no cérebro. Em alguns casos, uma artéria entope e deixa de irrigar parte dos neurônios, podendo causar sequelas. Nesse caso, a doença é chamada de "AVC isquêmico".

Também pode ocorrer de a artéria entupir e se romper, causando uma hemorragia. Tecnicamente esse tipo de problema é chamado de "AVC hemorrágico", e costuma ser mais grave. Popularmente, os dois tipos de acidente são chamados de "derrame".

Socorro imediato

De acordo com a neurologista, os sintomas e as sequelas de um AVC dependem da área do cérebro que foi afetada. "Pode ocorrer um sintoma muito leve, como boca torta, até a pessoa ficar paralisada. Isso vai depender do tamanho do entupimento da artéria ou da hemorragia no cérebro", explica. Segundo ela, há casos em que os AVCs podem causar poucos problemas, ainda haja derramamento de sangue.

Quando há suspeitas de que uma pessoa está sofrendo um AVC, a recomendação é levá-la imediatamente para o hospital. Quanto mais rápido for o socorro, maiores são as chances de recuperação. "É uma superemergência", diz a médica.

O neurologista Carlos Eduardo Altieri, do Hospital Sírio-Libanês, conta que os sintomas do AVC aparecem de repente. "Pode ser qualquer situação envolvendo dificuldade de linguagem, dificuldade de movimento, perda de visão, sensação de formigamento ou amortecimento seguida de dor de cabeça ou náusea", explica.

Fumo, sedentarismo e diabetes

O grupo de pessoas exposto aos AVCs é muito parecido com o que corre risco de problemas cardíacos. "São pessoas que têm pressão alta, diabetes, colesterol elevado, que fumam ou têm uma vida sedentária", conta a médica do Albert Einstein.

"[O AVC] é doença que mais deixa sequela no mundo todo. As pessoas se preocupam muito com o coração e pouco com o cérebro", avisa a neurologista.

Por Iberê Thenório

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