Equipamento que usa tecnologia 3D reduz em até 50% risco em cirurgias

Equipamento que usa tecnologia 3D reduz em até 50% risco em cirurgias

Atualizado: Quarta-feira, 17 Agosto de 2011 as 9:58

A tecnologia em 3D, terceira dimensão, também ajuda a salvar vidas. Um novo equipamento, inédito no país, começa a ser usado no Instituto Nacional de Cardiologia, no Rio de Janeiro.

O aparelho reduz em até 50% os riscos durante as cirurgias.

Um dia depois de uma cirurgia cardíaca, Joppert Carvalho está em casa falando do assunto que mais gosta: as glórias do América Futebol Clube. Ele tem 87 anos. O retorno tão rápido ao convívio com a mulher, com a cunhada e com o filho só foi possível graças a uma nova tecnologia: uma máquina, criada na Holanda, capaz de reconstruir imagens em terceira dimensão de órgãos e estruturas do nosso corpo.

“Muitas das vezes, para vencer determinadas curvaturas dos vasos, pode demorar de 30 a 60 minutos para conseguir posicionar o cateter e chegar à área desejada. Com o recurso de reconstrução tridimensional, você pode colocar até mesmo colorido na tela o caminho do vaso, fazer rotação para encontrar o melhor caminho com o cateter. Com isso, expõe o paciente e a equipe cirúrgica ao menor tempo de radiação e menor necessidade de contraste, que é um elemento tóxico ao rim e outros órgãos do corpo humano”, explica o médico Andrei Monteiro, chefe do centro cirúrgico.

Preso ao teto, o aparelho é capaz de fazer 120 imagens em apenas oito segundos, em qualquer ângulo. É uma ajuda especial no tratamento de doenças cardíacas de alta complexidade e diminui consideravelmente os riscos durante a cirurgia.

“Pacientes que seriam submetidos a procedimentos com riscos cirúrgicos de 40%, 50%, podem realizar procedimentos que minimizem esses riscos para menos de 5%. Em alguns casos selecionados, os benefícios são muito claros”, acrescenta o médico Andrei Monteiro.

O Instituto Nacional de Cardiologia, no Rio de Janeiro, é a única instituição no Brasil que dispões deste aparelho. Desde a inauguração, há um mês, ele já auxiliou a realização de seis cirurgias, inclusive a de marca-passo de Joppert Carvalho.

O pintor Pedro Silva de Souza, outro paciente, também teve um problema grave no coração.

Quase morreu antes da cirurgia com o novo aparelho.

“Isso poderia ter sido feito cirurgicamente, só que a cirurgia aberta além de ser muito mais traumática, ela confere ao paciente com essa modalidade de patologia um risco de cerca de 20%. Com esse tipo de tratamento, percutâneo, felizmente, o Pedro teve o tratamento bem sucedido, ele está ótimo, com aneurisma excluído na enfermadria”, afirmou o médico.

Agora que ganhou vida nova, Pedro Silva de Souza está de olho no futuro. “Vou ficar bom, com certeza, e voltar a trabalhar”, comemorou.

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