Especialista responde questões sobre mioma uterino

Especialista responde questões sobre mioma uterino

Atualizado: Terça-feira, 14 Junho de 2011 as 11:46

“Os sintomas, quando ocorrem, dependem do número, tamanho e localização dos miomas”, relata Rosa Maria Neme, médica ginecologista do Hospital Sírio-Libanês e diretora do Centro de Endometriose São Paulo, especializado no tratamento da doença.

Por se tratar de um tumor (não cancerígeno), o mioma pode apresentar tamanhos variados, indo desde um tamanho similar ao de um pequeno grão de feijão até ao de uma bola de basquete. Nos casos mais raros e severos, a mulher pode aparentar uma “falsa gravidez”, por causa da dilatação do abdome.

O mioma, quando diagnosticado, deve receber tratamento adequado para que não influencie em outros aspectos da saúde da mulher. Abaixo, Rosa Neme responde algumas questões sobre o problema.

• O que é mioma? Quais os tipos?

O mioma é um tumor não cancerígeno no útero. Tumor é qualquer coisa que cresce em local anômalo e, portanto, os miomas podem ser chamados de tumores “benignos”. A genética e os hormônios estão entre as principais causas da disfunção. O problema pode ocorrer em diferentes partes do útero e causa diversos problemas para a mulher. Os miomas se dividem em três grupos: os subserosos, que permanecem do lado de fora do útero; os intramurais, que estão localizados na musculatura do útero; e os submucosos, que estão dentro da cavidade do útero.

• Como eles se desenvolvem e se manifestam? Quais os sintomas? Como diagnosticar?

A causa do aparecimento dos miomas é genética e o crescimento deles se dá, na grande maioria das vezes, por ação do estrógeno, hormônio produzido no ovário quando a mulher está em idade reprodutiva. Os sintomas são cólicas fortes, menstruação prolongada ou sangramento irregular. Quanto ao diagnóstico, ele é realizado por meio de exames de imagem como o ultrassom e a ressonância magnética.

• Quais os tratamentos mais indicados?

Tudo dependerá do tamanho e da localização do mioma. Mas, em geral, o tratamento é cirúrgico.

• Em quais casos é recomendado o procedimento cirúrgico?

Em casos de miomas submucosos (dentro do útero), sempre se recomenda a retirada do mioma por histeroscopia (uma cirurgia na qual colocamos uma câmera de vídeo por dentro do útero, sem cortes externos). No caso dos demais miomas (intramurais e subserosos), a cirurgia estará reservada aos casos com muitos sintomas ou em miomas de grande volume.

• Há tratamentos para o mioma uterino? Como atuam sobre esse tumor?

As medicações que diminuem o tamanho do mioma podem ser usadas, mas sempre antes de um procedimento cirúrgico, para diminuir o nódulo e ajudar na cirurgia.

Além das medicações (que induzem a um estado semelhante a uma menopausa), outro tratamento é a embolização dos miomas, em que um cateter é colocado até a artéria que irriga o mioma e é realizada uma embolização daquele vaso, ou seja, é interrompido o fluxo de sangue para o mioma e com isso há redução do tumor, evitando-se a cirurgia em alguns casos. No entanto, este tratamento é indicado principalmente para mulheres com contraindicações cirúrgicas ou que já tiveram filhos e não desejam mais procriar, já que existe um risco extremamente pequeno de haver necrose de todo útero com necessidade da sua retirada.

• Toda mulher pode desenvolver mioma?

Pode sim. Após os 50 anos de idade a chance de ter um mioma é de 50% entre as mulheres.

Independentemente do tipo de mioma, ele pode virar um câncer?

A chance de virar um leiomiossarcoma (o tumor maligno) é de 0,3% a 0,5%.

• Esse tipo de tumor pode interferir na fertilidade?

Pode, dependendo da localização. Nesses casos, quando forem submucosos ou intramurais de grande volume ou localizados perto das trompas, devem ser operados.

• Há algum tratamento preventivo? O aparecimento dos miomas pode ter origem genética?

Infelizmente, não existe nenhum tratamento preventivo. A transmissão é genética.

• Quando e por que o mioma pode levar à retirada do útero?

Atualmente, somente se retira o útero em mulheres com prole constituída e com miomas de grande volume ou muito sintomáticos. Por exemplo, mulheres com úteros aumentados semelhantes a gestações de cinco meses para cima e com prole constituída têm indicação para a retirada do útero.    

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