Especialistas do FDA querem reduzir dose recomendada de paracetamol

Especialistas do FDA querem reduzir dose recomendada de paracetamol

Atualizado: Quinta-feira, 2 Julho de 2009 as 12

Doses de Tylenol e outros analgésicos que contêm paracetamol devem ser reduzidas por causa de preocupações com danos à saúde, afirmou um painel de médicos especialistas à Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.

O painel decidiu, por 21 votos contra 16, recomendar que a dose diária máxima da substância, encontrada em analgésicos como Tylenol e Excedrin, seja reduzida de 4.000 miligramas para 2.600 miligramas.

No Brasil, a recomendação máxima é de 4.000 miligramas em 24 horas, de acordo com a bula do Tylenol. Isso significa que o limite máximo para adultos é de oito comprimidos de 500 miligramas ao dia. Segundo o painel da FDA, a dose máxima deveria ser de cinco comprimidos.

Para crianças, a dose máxima recomendada é de 75 miligramas por quilo diariamente, informa o produto no Brasil. O Tylenol também apresenta advertências para que as pessoas não consumam o produto junto com álcool ou em caso de doença grave do fígado.

Nos EUA, os consumidores compraram, em 2005, 28 bilhões de doses de produtos que contêm paracetamol. Eficaz contra dores de cabeça e febre, o uso excessivo do remédio pode causar danos ao fígado em algumas pessoas. Mais de 400 pessoas morrem e 42 mil são hospitalizadas todos os anos nos EUA por causa do uso abusivo do analgésico.

A assessoria de imprensa da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informa que o paracetamol deve ser consumido com prescrição médica e, portanto, o consumidor deve respeitar a dose indicada pelo profissional de saúde.

A FDA diz que a substância é segura se tomada dentro dos níveis recomendados. No entanto, como o paracetamol está presente em diversos medicamentos contra dor, febre e tosse, muitas pessoas não percebem que estão tomando vários remédios que contêm o mesmo ingrediente.

O painel do FDA também votou a favor da retirada do mercado das drogas Percocet e Vicodin, medicamentos que combinam paracetamol (que nos EUA é chamado de "acetaminophen") e narcóticos para alívio da dor. O que motivou a decisão foi o potencial de causar danos ao fígado associado ao paracetamol.

Dipirona

Outro analgésico comum no Brasil e em diversos países, a dipirona, não é comercializada nos EUA devido ao risco de efeitos colaterais na medula óssea.

Apesar dos relatos de associação da dipirona ao problema, a maioria das publicações a respeito mostraram que o risco de redução das células sanguíneas é muito baixo, de cerca de 1,1 caso por um milhão de pessoas que fazem uso.

No Brasil, a agência que regula a comercialização dos medicamentos concluiu que a dipirona é um medicamento que está no mercado há mais de 80 anos, sendo seguro e eficaz no controle da dor e da febre.

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