Estilo de vida tem mais peso sobre a fertilidade

Estilo de vida tem mais peso sobre a fertilidade

Atualizado: Segunda-feira, 10 Janeiro de 2011 as 9:07

As salas de espera das clínicas de reprodução assistida estão cada vez mais cheias. E, mais do que problemas genéticos, especialistas são unânimes em apontar que os principais responsáveis pelo aumento da infertilidade dos casais são os fatores ambientais - como a exposição à poluição e aos agrotóxicos - e o estilo de vida nada saudável das grandes cidades.

"Desde que comecei nesta área, há 30 anos, a procura por especialistas cresce gradativamente", afirma o ginecologista Dirceu Henrique Mendes Pereira, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Para ele, a parcela genética na infertilidade contribui bem menos que o estilo de vida.

Um casal é considerado infértil quando não consegue conceber depois de um ano seguido de tentativas. Segundo especialistas, em 40% das vezes a causa está no homem; em 40%, na mulher; e em 20%, nos dois.

"Antigamente, a infertilidade sempre era considerada feminina. Hoje o homem também é investigado e se sabe que ele é responsável por metade dos casos", diz o ginecologista Flávio Garcia de Oliveira, da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo.

Para o médico Gustavo Kröger, da Clínica Genics Medicina Reprodutiva e Genômica, os homens estão um pouco mais vulneráveis a fatores ambientais que a mulher. "Os homens produzem espermatozoides continuamente, enquanto as mulheres já nascem com os óvulos prontos." Recentemente, pesquisa da Universidade Estadual de Nova York concluiu que o uso de laptops no colo pode levar à infertilidade masculina, por elevar a temperatura do testículo, impossibilitando a produção adequada dessas células.

Pereira enfatiza que os alimentos são essenciais para o sucesso na reprodução. "Alimentação com muita gordura saturada e carboidratos e carente de frutas e verduras resulta no que chamaria de metabolismo inflamatório, responsável pelo declínio da fertilidade."

O urologista Renato Fraietta, coordenador do Setor Integrado de Reprodução Humana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), não vê relação direta entre os alimentos e a infertilidade. "É mais comprovada a ação de drogas e medicamentos e, ainda, estilos de vida."

Ele explica que há uma associação entre infertilidade e tabagismo, uso de anabolizantes, obesidade, maconha, cocaína e alguns medicamentos como anti-hipertensivos, antidepressivos, antibióticos e quimioterápicos.

Bactéria. As doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e gonorreia, também estão na lista dos fatores que impedem a concepção. Um exemplo é a bactéria Chlamydia trachomatis, transmitida sexualmente, que pode passar desapercebida por anos.

"Um dia essa mulher ou esse homem vai querer ter um filho e constatarão que a trompa está obstruída, no caso da mulher, ou o canal deferente está comprometido, no caso do homem", explica o médico Emerson Cordts, especialista em reprodução humana do Hospital São Luiz.

O fato de a mulher adiar cada vez mais os planos de ser mãe também contribui para a lotação das clínicas de reprodução. "É comum que a mulher moderna queira ter filhos depois dos 35 anos. Como óvulo nasce com a mulher, ele vai envelhecendo junto com ela", diz Emerson Cordts.

Segundo ele, a mulher com 40 anos de idade tem apenas 8% de sua capacidade reprodutiva. Segundo o ginecologista Eduardo Zlotnik, do Hospital Albert Einstein, é importante que a mulher faça um planejamento de quando ela pretende ter filhos, evitando tratamentos com alto custo e efeitos colaterais.

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