Estresse pode contribuir com hábitos alimentares ruins

Estresse pode contribuir com hábitos alimentares ruins

Atualizado: Quarta-feira, 31 Março de 2010 as 12

"Crianças mais estressadas não só são mais propensas a escolher comidas gordurosas e alimentos industrializados com poucos nutrientes, mas também costumam evitar hábitos alimentares considerados saudáveis, como comer mais de cinco frutas ou vegetais diariamente ou mesmo fazer um bom café da manhã", afirma Jane Wardle, pesquisadora do Centro de Pesquisa em Câncer do Reino Unido. Os dados apresentados por Wardle coincidem com os de outros estudos que mostram que alguns tipos de resposta ao estresse estão ligados a um maior consumo alimentar, enquanto determinados indivíduos respondem de maneira inversa, ou seja, comendo menos.

Considerando que a obesidade em adolescente tem crescido assustadoramente - o que também aumenta a propensão a ser um adulto obeso – e que essa condição de sobrepeso pode aumentar os riscos de doenças do coração, câncer e diabetes tipo 2, a descoberta desse novo dado relacionando aumento de consumo calórico com estresse não é uma notícia nada animadora.

"Com que constância você se sente impotente para tomar decisões na vida?"

A partir dessa pergunta padrão de um extenso questionário, que pode identificar sintomas de estresse e de outras enfermidades, incluindo hábitos alimentares – como consumo diário de frutas e verduras – e preferências por comidas altamente calóricas, além de monitorar os hábitos relativos a um café da manhã saudável (que se mostrou benéfico à saúde em longo prazo) Wardle identificou uma forte associação do estresse com comidas ricas em gorduras. Os maiores níveis de estresse nos estudantes coincidiam com uma média de consumo até duas vezes maior de calorias do que o grupo de estudantes menos estressados.

Curiosamente, os estudantes acima do peso também diziam consumir menos comidas gordurosas, lanches fora de hora e pular constantemente o café da manhã. Wardle afirma que isso pode parecer contraditório, mas é comum que adultos obesos indiquem que comem menos do que realmente fazem, e essa variação de respostas parece ser similar nas crianças. Outro dado relevante é que os estudantes com maior nível socioeconômico também eram aqueles que comiam melhor, em termos de qualidade dos alimentos, ou seja, alimentos mais saudáveis e grande ingestão de frutas e vegetais.

"O estresse parece ser bastante danoso à saúde dessas crianças, ao passo que contribui para o aumento de escolhas erradas em detrimento da saúde", diz a pesquisadora. Wardle e seus colaboradores agora acompanham o mesmo grupo de estudantes para poder identificar outros resultados a respeito de suas dietas e hábitos saudáveis ou não.

Postado por: Felipe Pinheiro

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