Estudo aponta que combinação é mais eficaz contra câncer de pulmão

Estudo aponta que combinação é mais eficaz contra câncer de pulmão

Atualizado: Segunda-feira, 22 Agosto de 2011 as 11:36

  O uso do bevacizumabe foi colocado em dúvida por conta dos efeitos colaterais, mas o tratamento, junto da quimioterapia, traz mais benefícios que riscos.

Efeitos colaterais adversos colocaram em dúvida a eficácia do uso do bevacizumabe (de marca comercial Avastin) utilizado aliado à quimioterapia para tratamento do câncer de pulmão, doença que tem o cigarro como responsável por 90% dos casos e é um dos tipos de câncer mais agressivos que existe. Especialistas da área médica questionavam se valia a pena correr o risco de sofrer efeitos colaterais em prol de um benefício considerado pequeno, a longo prazo.

Alguns planos de saúde sequer ofereciam cobertura para o tratamento com esse medicamento. Com base nesses questionamentos, o oncologista André Sasse, coordenador do Centro de Evidências em Oncologia (Cevon) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto do Radium de Campinas, comandou um estudo, publicado em 2 de agosto pela revista médica PLoS ONE, com os alunos André Lima e Lígia Macedo e comprovaram que o bevacizumabe realmente traz benefícios e faz diferença no tratamento quando usado em conjunto com a quimioterapia.

“Aumenta a qualidade de vida do paciente de várias formas. Nos casos analisados, aumenta de 20% para 40% a taxa de resposta, que é a redução do volume da doença, além de prolongar de forma significativa o tempo sem crescimento da doença e da expectativa de vida do paciente”, afirma o oncologista André Sasse, sobre os resultados. A principal ação do bevacizumabe é inibir a produção de vasos sanguineos que alimentam o tumor. Por isso, um dos efeitos colaterais é o risco de sangramento.  

A crítica era de que o ganho para o paciente era considerado pequeno diante desses efeitos colaterais, mas o estudo provou que não. O grupo estudou o caso para saber se em pacientes com câncer de pulmão do tipo células não-pequenas e com metástases, a adição desse medicamento ao tratamento realmente seria mais eficaz em relação ao tratamento somente com quimioterapia. O estudo foi baseado em metánalise, método usado na Medicina Baseada em Evidências (MBE), em que foram reavaliados dados de cincos estudos internacionais, com um total de 2.252 pacientes.

O medicamento foi aprovado pela primeira vez em 2005 para ser usado combinado à quimioterapia no tratamento do câncer de colon de reto. Atualmente, no Brasil, o bevacizumabe é aprovado para uso no tratamento para cânceres de colon e reto, de rim, de pulmão e de mama. Lançado com estardalhaço no mercado farmacêutico, os benefícios proporcionados pelo uso de Avastin passaram a ser questionados por especialistas, o que levou a uma parcela da classe médica a dispensar o uso do medicamento.

Sobre a Medicina Baseada em Evidências

A Medicina Baseada em Evidências (MBE) é definida como o elo entre a boa pesquisa científica e a prática clínica. A MBE propõe a combinação de provas científicas confiáveis e atuais, com experiência do médico e com a avaliação de desejos e anseios do paciente, para possibilitar a melhor prática clínica possível. A MBE propõe que o bom profissional de saúde não deve depender da opinião de outros profissionais e nem de fontes potencialmente enviesadas (como a indústria farmacêutica) para se atualizar.

O médico que atua hoje deve estar preparado para identificar, dentre um volume crescente de informações científicas disponíveis, aquelas que podem realmente trazer respostas confiáveis às perguntas do paciente, opções terapêuticas cujos benefícios superam os riscos e com potencial para melhorar a qualidade de vida dos doentes em seus cuidados.  

Sobre o Cevon

O Cevon foi criado há dois anos e é vinculado à Disciplina de Oncologia Clínica, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Tendo em vista a expressão e conduta dos trabalhos que realiza, conseguiu espaço para apresentar sua metodologia no Evidence 2010, principal reunião mundial de especialistas em aplicação de Medicina Baseada em Evidências. O coordenador André Sasse aponta que o Cevon vem tendo reconhecimento nacional, participando do treinamento em Medicina Baseada em Evidências de médicos residentes de oncologia dos principais centros oncológicos do Brasil, como Instituto Nacional de Câncer (Inca), Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Hospital Albert Einstein.

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