Estudo da Unifesp aponta que prática de atividade física não traz risco para pessoas com epilepsia

Estudo da Unifesp aponta que prática de atividade física não traz risco para pessoas com epilepsia

Atualizado: Segunda-feira, 7 Julho de 2008 as 12

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) concluíram, através de uma revisão de 78 estudos nacionais e internacionais e por estudos experimentais realizados pelo grupo, que a prática de atividades esportivas em pessoas com epilepsia não proporciona risco e, em muitos casos, a atividade física chegou a reduzir o número de crises epiléticas.

É comum que a pessoa com epilepsia evite a prática de exercícios e seja desencorajada por familiares a praticá-los, por medo de que o esforço desencadeie crises epilépticas.

Entretanto, estudo realizado pelos pesquisadores do Departamento de Fisiologia, Ricardo Arida e Antonio C. da Silva, e do Departamento de Neurologia Experimental, Esper Cavalheiro e Fulvio Scorza, da Unifesp, mostra que não há fundamento para o temor: desde que a pessoa conte com acompanhamento médico, a atividade esportiva pode ser praticada com segurança, obtendo melhora no sistema cardiovascular e até a redução das crises.

Por meio da revisão de 78 estudos publicados entre 1948 e 2006, que investigaram os efeitos do exercício em pessoas com epilepsia e a relação entre atividade física e crises, os pesquisadores puderam observar, não somente que o exercício não desencadeia crises, mas que o treinamento físico aeróbico chegou a reduzir o número das crises.

Pacientes que dispõem de controle rigoroso das crises podem se dedicar, inclusive, a modalidades estigmatizadas, como esportes de contato, antes contra-indicado para esta população específica. Um trabalho publicado pela Academia Americana de Pediatria, em 1983, assegurou que "a epilepsia não deve excluir crianças da prática de futebol americano, hóquei, basquete ou luta-livre".

Os pesquisadores da Unifesp salientam que, antes de se recomendar uma atividade esportiva, é preciso conhecer o histórico do paciente e a freqüência de suas crises. Como estudos em modelos animais com epilepsia têm confirmado, os efeitos benéficos da atividade física apontados pelos estudos em humanos é justificável que os médicos recomendem exercícios a seus pacientes, como forma de melhoria da qualidade física, da auto-estima e da socialização da pessoa com epilepsia.

Sobre a epilepsia

A incidência da epilepsia varia entre 1% e 2% da população, sendo mais freqüente nos países em desenvolvimento, devido à desnutrição, às doenças infecciosas e ao deficiente sistema público de saúde. É uma doença mais comum na infância, quando é maior a vulnerabilidade a infecções do sistema nervoso central, como a meningite, e a doenças como sarampo, varicela e caxumba, cujas complicações podem causar crises epiléticas. A patologia pode se manifestar também com as complicações vasculares do envelhecimento.

Existem no Brasil cinco casos de epilepsia para cada mil habitantes, sendo registrados em torno de 50 novos casos por ano para cada grupo de 100 mil indivíduos. Estima-se que 1% da população mundial tenha o distúrbio, número que pode ser maior nos países em desenvolvimento.

Postado por: Claudia Moraes

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