Estudo encontra primeira ligação genética para enxaqueca

Estudo encontra primeira ligação genética para enxaqueca

Atualizado: Segunda-feira, 30 Agosto de 2010 as 4:43

Uma equipe internacional de cientistas identificou pela primeira vez um fator genético de risco associado à enxaqueca comum e informou que a descoberta pode abrir caminho para novos tratamentos de prevenção contra ataques da doença.

Pesquisadores que analisaram dados genéticos de 50 mil pessoas da Finlândia, Alemanha e Holanda descobriram que pacientes com determinadas variações de DNA que afetam a regulagem de uma substância química particular do cérebro estão mais propensos ao risco de desenvolver enxaqueca.

Os resultados sugerem que um composto dessa substância, chamada glutamato, pode desempenhar um papel no mecanismo da enxaqueca.

Aarno Palotie, presidente da sociedade internacional sobre dores de cabeça genéticas do Trust Sanger Institute no Reino Unido e coordenador do estudo, comentou o resultado.

- Esta é a primeira vez que podemos examinar os genomas de milhares de pessoas e encontrar indícios genéticos para compreender a enxaqueca.

Atualmente, cerca de uma a cada seis mulheres e um a cada 12 homens sofre de enxaqueca, uma das complicações neurológicas mais caras para a sociedade na União Europeia e nos Estados Unidos.

Existem 150 tipos de dores de cabeça reconhecidas internacionalmente, mas as mais comuns são a cefaleia tensional, que causa dor leve ou moderada e dá uma sensação de peso ou aperto na cabeça; a enxaqueca, que se manifesta de maneira pulsante e tem intensidade moderada a forte; e a CCD (Cefaleia Crônica Diária), que como o nome diz, é uma dor que persiste por vários dias. Além daquelas chamadas secundárias, que são sintomas de outras doenças.

Um estudo liderado pelo neurologista Luiz Paulo de Queiroz, da Universidade Federal de Santa Catarina, e membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia, mostrou resultados bastante impressionantes sobre a incidência de cefaleia no Brasil. Depois de entrevistar 3.848 pessoas de 18 a 79 anos, de todas as regiões do país, ele constatou que 72% da população apresentaram algum tipo de dor de cabeça em 2008.

Entre os entrevistados brasileiros, 13% sofrem com a tensional, 15%, com a enxaqueca – índices semelhantes aos mundiais – e 6,9% com a CCD. Esta última chamou a atenção dos pesquisadores. Caracterizada pela maior incidência de crises, que podem ocorrer várias vezes por semana, durante várias semanas, ela costuma ser consequência de outras dores de cabeça não tratadas adequadamente. Ela se mostrou mais incidente nas regiões norte e centro-oeste, onde, de acordo com o pesquisador, o atendimento médico é mais precário.

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