Estudo liga remédios para idosos a maior risco de morte

Estudo liga remédios para idosos a maior risco de morte

Atualizado: Terça-feira, 28 Junho de 2011 as 10:59

Cientistas estimam que metade das pessoas com 65 anos ou mais consomem regularmente a combinação de medicamentos usados para combater problemas cardíacos, depressão e alergias. O estudo revela que essa mistura pode aumentar o risco de morte e de deterioração de funções cerebrais entre idosos

A pesquisa foi realizada entre 13 mil pessoas de 65 anos ou mais, pela Universidade de Anglia, na Grã-Bretanha, a partir de dados coletados entre 1991 e 1993 envolvendo medicamentos vendidos mediante a apresentação de receita médica ou outros que dispensavam a apresentação de receita.

O estudo se centrou nos efeitos colaterais desses remédios sobre uma substância química chamada acetilcolina, produzida no cérebro. A aceliticolina é um neurotransmissor que exerce um papel vital no sistema nervoso, o de passar mensagens de célula nervosa para célula nervosa. Mas muitos remédios, quando tomados simultaneamente, afetam o funcionamento da acetilcolina.

Classificação

A pesquisa classificou 80 medicamentos de acordo com sua suposta capacidade ''anticolinérgica''. Anticolinérgicos são substâncias extraídas de plantas ou sinteticamente produzidas que inibem a produção de acetilcolina. Elas foram classificadas em um placar que ia de 1 a 5. Remédios considerados amenos foram avaliados como sendo de categoria 1. Os de efeitos considerados moderados foram listados como sendo 2. E os avaliados como tendo efeitos severos foram listados na categoria 3.

Pacientes que tomavam uma droga considerada severa, juntamente com outras duas consideradas amenas eram enquadrados na categoria 5. Entre os considerados moderados figuram o analgésico codeína e o anticoagulante warfarin. Os que foram classificados como severos estão o ditropan, tomado para prevenir incontinência, e o antidepressivo seroxat. Entre 1991 e 1993, 20% dos pacientes que marcaram 4 pontos ou mais morreram.

Entre aqueles que não tomaram medicamentos anticolinérgicos, apenas 7% morreram. Pacientes que marcaram 4 pontos ou mais tiveram um aumento de 4% na degeneração de suas funções cerebrais. O estudo não pode, no entanto, concluir que necessariamente os medicamentos causaram morte ou reduziram as funções cerebrais, apenas indica uma associação.

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