Estudo revela zona de maior contágio da gripe em aviões

Estudo revela zona de maior contágio da gripe em aviões

Atualizado: Terça-feira, 28 Junho de 2011 as 11:02

Durante a pandemia da gripe H1N1 , em 2009, algumas pessoas deixaram de viajar de avião temendo o contágio do vírus no ambiente restrito da aeronave.

Agora um novo estudo mostra que a “zona de perigo” para a transmissão de gripe é de apenas duas poltronas ao redor de onde você se encontra.

Acreditava-se que o espaço fosse muito maior, de acordo com um estudo publicado na edição de julho do periódico Emerging Infectious Diseases, divulgado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

Cientistas monitoraram as doenças entre os passageiros de dois vôos entre os Estados Unidos e a Austrália em maio de 2009 – diversos haviam sido diagnosticados com a gripe H1N1. Eles foram avaliados durante os três meses posteriores à chegada quanto aos sintomas relativos à gripe. Um total de 2% dos passageiros apresentou uma doença semelhante à gripe durante o vôo, enquanto 5% (32) desenvolveram a mesma na semana posterior à chegada ao destino.

O estudo revelou que os viajantes corriam riscos de contaminação 3,6% maiores se estavam sentados a menos de duas fileiras de um passageiro com os sintomas da doença, sendo que o risco aumentou para 7,7% para aqueles sentados a menos de dois assentos de distância de um passageiro doente.

A "zona de perigo" refere-se, então, a uma pessoa doente sentado duas poltronas à frente, atrás ou ao lado de quem viaja.

“A circunferência de duas poltronas de distância é definitivamente a zona de maior risco”, disse Paul M. Kelly, professor da Universidade Nacional da Austrália, de Canberra, e autor do estudo.

Ele aconselha: “Troque de assento se você se encontra a menos de duas poltronas de distância de um passageiro que está espirrando, tossindo e tem aparência febril. Se tiver uma máscara, use-a ou sugira a seu vizinho usá-la, lave as mãos e evite tocar no próprio rosto para minimizar as chances de contaminação”.

Segundo o especialista, algumas épocas do ano podem ser piores em termos de contaminação. “Sem dúvidas, a temporada da gripe é a pior época para viajar, mas ela ocorre em diferentes meses no hemisfério norte (de novembro a março) e no hemisfério sul (de junho a setembro).

Michael Zimring, diretor do Centro de Medicina do Viajante do Centro Médico Mercy, de Baltimore, disse que os dois principais fatores de risco de contágio da gripe em uma viagem de avião são a proximidade de um passageiro doente e a duração do vôo.

Segundo ele, quanto mais longo o vôo, maior o risco. Não é o ar no interior da aeronave que por si só aumenta o risco de transmissão de gripe, já que dentro dos aviões são usados filtros de ar para minimizar a proliferação de germes.

“Doenças infecciosas, como a gripe, podem passar através do espirro ou da tosse diretamente para o rosto de um indivíduo ou para um objeto com o qual ele entrará em contato”, disse o especialista. Ele explica: “Se um passageiro tossir e as gotículas emitidas repousarem sobre o braço ou encosto da poltrona, a próxima pessoa que tocar aquela área e em seguida usar as mãos para se alimentar ou para tocar seu próprio rosto, irá permitir a contaminação do vírus ou da bactéria”.

“Quanto maior a distância, menores as chances de contágio; e quanto menor o tempo de exposição, menores a chances de entrar em contato com a doença”, ele ressalta.

“Lave as mãos com frequência durante o vôo, principalmente antes de comer algo. E lembre-se de que existem germes também na maçaneta do banheiro e nas poltronas onde colocamos as mãos na volta do banheiro”, ele ressalta.

“Se gozamos de boa saúde, tivemos uma boa noite de sono e nos alimentamos bem, as chances de ficarmos doentes também serão menores”, ele complementou.

Len Horovitz, especialista pulmonar do Lenox Hill Hospital, de Nova York, concorda com os conselhos. “Se está preocupado, é melhor usar uma máscara. Você nunca mais vai ver essas pessoas novamente então para se importar se eles acharem que você é meio maníaco”.

Partículas virais podem sobreviver em uma superfície por até 24 horas. Por isso ele aconselha sempre lavar as mãos antes de tocar o rosto.

Horovitz adverte que os jatos de ar lançados acima das poltronas também podem impulsionar partículas virais na direção dos passageiros. “Estes germes podem viajar por uma distância de até dois metros dentro de um trem e provavelmente vão até mais longe dentro de um avião, devido à mistura de ar que ocorre nos jatos”, ele explica. O especialista diz que tomar a vacina contra a gripe anualmente também pode reduzir os riscos de desenvolver a doença, mesmo se o passageiro ao seu lado tossir ou espirrar durante todo o voo.

Segundo Neil Schachter, diretor do departamento de doenças respiratórias do Centro Médico Mount Sinai, de Nova York, é crescente o número de relatos casuais de pessoas que desenvolvem infecções das vias aéreas superiores após tomarem vôos de mais de cinco horas de duração.

“Mesmo que o estudo mostre que a zona de contágio não passe de uma circunferência de duas poltronas de distância, diversas pessoas apresentavam este tipo de infecção durante os dois vôos analisados – o que certamente cobria uma grande parte da aeronave”, disse Schachter.

Diversas novas infecções surgiram nos últimos anos, dentre elas a H1N1. “Acredito que uma vigilância maior dos passageiros pode ajudar a manter aqueles doentes fora do avião. Novas infecções devem surgir e um controle melhor nos aeroportos é certamente um passo a ser dado nesta direção, mas este tipo de mudança de procedimento leva tempo”, disse ele.

Até que isto ocorra, Schachter aconselha às pessoas que já estão com um quadro de saúde debilitado para pedir à equipe de bordo para trocarem de assento no caso de estarem sentadas próximas a um passageiro que está tossindo ou espirrando.    

veja também