Exposição à radiação solar aumenta 35% em SP

Exposição à radiação solar aumenta 35% em SP

Atualizado: Segunda-feira, 14 Fevereiro de 2011 as 9:22

A exposição do paulistano à radiação solar em janeiro foi 35% maior do que no mesmo período de 2010. O sol apareceu durante 147,6 horas no primeiro mês de 2011 e lotou piscinas e parques públicos. No ano anterior, foram 109 horas, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Dermatologistas alertam que o excesso de sol pode causar manchas, queimaduras, herpes e, em casos extremos, até câncer de pele.

O índice de radiação ultravioleta costuma atingir seu auge ao meio-dia (ou 13h, durante o horário de verão), segundo a professora do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Simone Siever. No verão, a radiação continua alta entre 10h e 16h (ou entre 11h e 17h). “Nesse horário, deve-se evitar entrar em contato com o sol”, ensina o dermatologista do Hospital das Clínicas Eugênio Pimentel.

A recomendação não é levada a sério pelo sorveteiro Antônio Bueno da Silva, de 52 anos, que diz lucrar mais com seu carrinho de picolés justamente depois do almoço. “Faz mais de dez anos que ando pra cima e pra baixo no sol e nunca tive nada. Tenho a pele morena. Não gosto de filtro. Pra proteger a careca, uso esse chapéu”, diz Silva, mostrando o acessório.

“Ao longo do tempo, a exposição crônica ao sol pode levar ao câncer de pele. Às vezes, demora anos para se manifestar”, diz Pimentel. A maior incidência de câncer no País é o de pele, embora provoque menos mortes. Em 2010, foram 119.850 novos casos, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). O câncer de próstata, segundo maior, teve 52.350 casos.

Preocupados com o risco à saúde, os motoristas de ônibus da capital querem pedir às empresas onde trabalham que forneçam o filtro solar. “É uma reivindicação justa, mas, para as viações, protetor solar é artigo de luxo”, diz o coordenador de comunicação do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano (Sindmotoristas) Naílton Francisco de Souza.

O sindicato patronal confirma que as empresas não fornecem o creme. Para o motorista de ônibus Amilton Blanco, de 31 anos, isso não mudaria muita coisa. “Já é normal ver o motorista do ônibus com só um braço queimado. Não uso protetor porque não fico direto no sol. Estou protegido dentro do carro”, alega o motorista.

Marronzinhos, carteiros e garis de São Paulo afirmam receber filtro solar das empresas onde trabalham. “É bom porque não gasto dinheiro. Se dependesse de mim, talvez não comprasse”, declara o carteiro Alberto Fonseca, de 29 anos, que trabalha há cinco anos na região norte da capital.

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