Fator de crescimento plaquetário é aposta de médicos para tratar atletas

Fator de crescimento plaquetário é aposta de médicos para tratar atletas

Atualizado: Sexta-feira, 28 Maio de 2010 as 10:51

Em meio aos constantes avanços da medicina e busca incessante por tratamentos com baixa morbidade, complicações e que permitam um retorno precoce às atividades esportivas e laborais, têm tomado destaque a terapia com Fator de Crescimento Plaquetário.

As plaquetas são células sanguíneas responsáveis pela liberação de mediadores químicos, denominados de citocinas, que desencadeiam o processo de reparação tecidual. As citocinas, quando estão em grande quantidade, além de estimular, também aceleram a reparação dos tecidos lesados.

Isto se torna um fator importante quando nos referimos a ortopedia e a traumatologia esportiva, em que o tempo do retorno aos esportes e as condição nas quais o atleta vai se encontrar fazem muita diferença.

Por ser um procedimento com poucos riscos a princípio e com resultados encorajadores iniciais, a utilização dos fatores de crescimento plaquetário tem se difundido no meio médico.

Como o procedimento é feito?

O preparo tem início com a retirada do sangue do próprio paciente e o volume retirado pode variar de 27 a 108ml dependendo da quantidade desejada para o procedimento a ser realizado.

Depois, o sangue será centrifugado por aproximadamente quinze minutos e então retirado o plasma rico em plaquetas, que possui uma concentração plaquetária oito vezes maior que o sangue. A este concentrado de plaquetas adiciona-se gluconato de cálcio, no momento da administração.

O gluconato tem como função ativar as plaquetas para que, a partir de então, haja liberação dos fatores crescimento plaquetários que terão ação local.  

Quem pode usar?

Dentre as indicações para a utilização do fator de crescimento plaquetário destacam-se:

- Fraturas

- Lesões ligamentares

- Lesões musculares

- Lesões de cartilagem

- Lesões de menisco

- Tendinopatias do joelho, cotovelo, pé e tornozelo, quadril, ombro

- Retardo de consolidação e não consolidação de fraturas

- Cicatrização de escaras

- Cicatrização de úlceras em pé diabético

Estudos têm demonstrado que além de acelerarem o processo de reparação tecidual, a utilização dos fatores de crescimento pode diminuir a dor e o sangramento pós-operatório o que pode acarretar em um menor período de internação hospitalar e um maior precocidade na reabilitação pós-operatória.  

Tendo em vista os seus possíveis benefícios e os baixos riscos a saúde do paciente, o fator de crescimento plaquetário tem se tornado mais um aliado na abordagem das lesões ortopédicas, e cada vez mais estudos tem sido realizados com objetivo de se comparar a eficácia do procedimento frente a outros métodos terapêuticos convencionais.

Alguns pontos ainda necessitam ser esclarecidos, como o fator de crescimento ideal para ser utilizado, em qual situação específica e os reais riscos a longo prazo.

Por Dr. Ricardo Cury - Ortopedia

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