Febre Amarela: quando a vacina pode se tornar um sério risco à saúde

Febre Amarela: quando a vacina pode se tornar um sério risco à saúde

Atualizado: Sexta-feira, 15 Fevereiro de 2008 as 12

Segundo o Ministério da Saúde, não há possibilidade de um surto de febre amarela no País. De acordo com o órgão, o último surto de febre amarela silvestre ocorreu em janeiro de 2003 e a febre amarela urbana não ocorre desde 1942.

 

As áreas de maior risco de transmissão da febre amarela silvestre são as regiões de matas e rios das seguintes localidades: todos os Estados da Região Norte e Centro-Oeste, bem como parte da Região Nordeste (Estado do Maranhão, sudoeste do Piauí, oeste e extremo-sul da Bahia), Região Sudeste (Estado de Minas Gerais, oeste de São Paulo e norte do Espírito Santo) e Região Sul (oeste dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

 Ainda segundo o Ministério da Saúde, em relação aos casos humanos com suspeita de febre amarela silvestre, até o último 28 de janeiro, houve 42 notificações de casos suspeitos de febre amarela silvestre. Destes, 19 casos foram confirmados, dos quais 10 resultaram em mortes e nove tiveram cura.

Outros dezenove casos foram descartados para febre amarela e quatro permanecem em investigação. Os prováveis locais de infecção dos casos confirmados ocorreram em áreas silvestres de Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

Mas quem deve se vacinar? "É recomendada a vacinação contra a febre amarela para todos os viajantes, acima de seis meses de idade (nove meses para quem mora fora das áreas endêmicas), que se dirijam aos Estados com áreas de risco, com antecedência mínima de dez dias da viagem", explica Jessé Reis Alves, responsável pelo Check-up do Viajante e pelo Serviço de Vacinação do Fleury Medicina e Saúde.

A vacina é contra-indicada para crianças com menos de seis meses de idade, para pessoas com o sistema imunológico comprometido por alguma doença, como câncer, Aids ou infecção pelo HIV. Da mesma forma, para pacientes em uso de drogas imunossupressoras, radioterapia e com história de reação anafilática relacionada a ovo de galinha e seus derivados. Gestação em qualquer fase constitui contra-indicação relativa, mas deve-se avaliar cada caso.

Doenças agudas febris moderadas ou graves devem ser primeiramente tratadas e a vacinação deve ser realizada após a resolução do quadro. Para a indicação da vacinação para pessoas soropositivas para HIV e que se desloquem para áreas de risco de transmissão de febre amarela deve ser considerada a contagem de CD4 e carga viral.

Quem precisa tomar outras vacinas de vírus vivos, por exemplo, sarampo, caxumba e rubéola, deve fazê-lo no mesmo dia da vacinação contra a febre amarela. Se a vacinação simultânea não for possível, deverá aguardar quatro semanas para que possa ser feita. Vacinas inativadas não apresentam nenhuma restrição de tempo.

Não há necessidade de vacinação para os viajantes que se dirigem às demais áreas, uma vez que não apresentam risco de transmissão. "Essa vacina, que é válida por 10 anos, está disponível apenas nos serviços públicos de saúde e alguns aeroportos. Quem deseja fazer viagens internacionais para países que exigem essa imunização prévia deve obter o certificado internacional de vacinação. A listagem completa de serviços de saúde que disponibilizam essa vacina e o documento podem ser consultados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)", ressalta Jessé.

Reações à vacina

Segundo o Ministério da Saúde, aumentou de 30 para 43 o número de pessoas que tiveram alguma reação à vacina contra a febre amarela. Esses casos demonstram a necessidade de só se imunizar ao viajar para as regiões de risco. Isso se não a tiver tomado depois de 1999. Os casos de reação à vacinação foram, até o 28 de janeiro, quase duas vezes maior que aqueles confirmados de febre amarela.

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