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Saúde

Fechamento de escolas não ajuda a conter epidemias, diz estudo

Fechamento de escolas não ajuda a conter epidemias, diz estudo

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:55

Se você ou seu filho tiveram gripe durante a epidemia de H1N1 - ou gripe suína - em 2009, isso pode não ter acontecido da forma como se imaginava.

Um novo estudo sobre a epidemia, conduzido numa escola na Pensilvânia, descobriu que as crianças provavelmente não foram infectadas por sentar ao lado de um colega doente - e que os adultos não teriam sido infectados por seus próprios filhos.

Segundo o estudo, fechar as escolas depois do início da epidemia não fez muito para desacelerar a disseminação - e a forma mais comum de transmissão da doença foi pela rede de amigos das crianças.

Pesquisadores descobriram tudo isso estudando a epidemia de H1N1 numa escola primária de uma comunidade semi-rural, na primavera de 2009. Eles coletaram dados em tempo real, enquanto a epidemia estava acontecendo.

Com essa informação de exatamente quem ficou doente e quando, além de dados de redes sociais e atividades, eles conseguiram usar técnicas estatísticas para rastrear a disseminação da doença de uma vítima a outra. Seu relato aparece online em "The Proceedings of the National Academy of Sciences".

Os cientistas coletaram dados de 370 alunos de 295 residências. Quase 35 por cento dos alunos, e mais de 15% das pessoas de suas residências foram infectados. As informações mais detalhadas foram coletadas com alunos da quarta série, o grupo mais afetado pela epidemia.

A estrutura de classes e séries teve um efeito significativo sobre as taxas de transmissão. A transmissão foi 25 vezes mais forte entre colegas de classe e crianças de séries diferentes. Mesmo assim, estar sentado ao lado de um aluno infectado não elevou as chances de pegar a gripe.

Aparentemente, as redes sociais foram um meio mais significativo de transmissão do que a disposição dos assentos. Os alunos mostraram chances quatro vezes maiores de brincar com crianças do mesmo sexo do que com o sexo oposto e, seguindo esse padrão, meninos tinham maior probabilidade de pegar a gripe de outros meninos, e meninas de outras meninas.

O progresso da doença dia a dia seguiu essas interações sociais: de 7 a 9 de maio, a doença se espalhou principalmente entre meninos; de 10 a 13, principalmente entre meninas.

"Nossas redes sociais moldam a disseminação de doenças", afirmou Simon Cauchemez, o principal autor. "E podemos quantificar o papel das redes sociais".

Trinta e oito por cento das crianças entre 6 e 10 anos foram infectadas, frente a 23% das pessoas entre 11 e 18 e 13 por cento dos maiores de 18. A suscetibilidade dos adultos foi 50 por cento menor do que a das crianças, mas quando eles ficavam doentes, probabilidade de transmitir o vírus era a mesma.

A escola fechou de 14 a 18 de maio, mas não houve indicação de que isso tenha reduzido a disseminação. Pode ser que já fosse tarde demais - 14 de maio foi o 18º dia da epidemia, e 27 por cento dos alunos já apresentavam sintomas.

Os cientistas não encontraram diferença nas taxas de transmissão durante o fechamento da escola e pelo restante da epidemia. Segundo eles, isso confirma estudos anteriores, que mostravam que uma escola deve ser fechada bem cedo numa epidemia para surtir qualquer efeito sobre a disseminação da doença.

Apenas um em cada 5 adultos pegou a doença de seus próprios filhos, e isso refuta um dos argumentos mais comuns para o fechamento de escolas: o de que isso evitaria a doença passar das escolas às residências.

"Aqui nós mostramos que a maioria dos adultos doentes não foi infectada por uma das crianças da residência", disse Cauchenez, pesquisador do Imperial College de Londres. "Essa informação pode ser usada para entender se seria melhor fechar a escola ou interromper classes ou séries individuais".

Outros especialistas ficaram impressionados com o trabalho. "É um ótimo passo", disse Ira M. Longini Jr., professor de bioestatística do Centro de Pesquisa de Câncer Fred Hutchinson, em Seattle. "Essa é uma maravilhosa análise de um conjunto de dados. Esse vírus se espalha rapidamente entre crianças em idade escolar, então o tópico é bastante importante".

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