"Festival da Loucura" discute preconceito com doentes

"Festival da Loucura" discute preconceito com doentes

Atualizado: Quinta-feira, 15 Julho de 2010 as 9:42

Depois de passar pelo Museu da Loucura, assistir apresentações circenses, um show do Zeca Baleiro e uma palestra sobre saúde mental, os visitantes poderão realizar um exame para medir o seu grau de loucura - teste necessário para que possam tirar a "carteirinha de louco".

Com esse misto de eventos culturais e científicos, começa nesta quinta-feira (15) o "Festival da Loucura - de Perto Ninguém é Normal", em Barbacena, a 176 km de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Até o próximo domingo (18), a cidade vai receber a 5ª edição do evento, que traz diversos espetáculos e debates a respeito da saúde mental, com temas como ressocialização, mercado de trabalho, "convivência com o louco" e a "loucura na criação literária".

Segundo Leonardo Carvalho, presidente da Empresa Municipal de Turismo, o objetivo do festival é "celebrar a vida, aceitar as diferenças e fazer valer a cidadania plena para todos".

- Mais do que um evento cultural, artístico e científico, o evento pretende dizer um sonoro "não" ao preconceito, exclusão e intolerância, em suas formas e origens.

No Brasil, existem 23 milhões de pessoas (12% da população) que necessitam de algum atendimento em saúde mental. Dentre esses, pelo menos 5 milhões (3% da população) sofrem com transtornos mentais graves e persistentes.

Desde a aprovação da chamada Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei nº 10.216/2001), os investimentos são principalmente direcionados para tirar os pacientes dos hospícios e conduzi-los aos serviços abertos e de base comunitária. No ano passado, o país aplicou R$ 1,4 bilhão no tratamento dessas doenças.

Neste ano, o evento em Barbacena traz ainda o grupo de teatro de bonecos Giramundo, o escritor Ariano Suassuna, o espetáculo cênico-musical Tangos & Tragédias, dentre outros, conta Carvalho.

- O Festival da Loucura converteu-se em lúcidos momentos de fruição artística, desconstrução de paradigmas e, acima de tudo, uma lição que precisa ser compartilhada com o mundo todo. Como definiu o cantor Lobão: "estamos aqui justamente para combater abordagens toscas e preconceituosas sobre a loucura".

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