Fitoterápicos e fórmulas manipuladas dividem médicos

Fitoterápicos e fórmulas manipuladas dividem médicos

Atualizado: Sexta-feira, 5 Fevereiro de 2010 as 12

No title A compra de remédios fitoterápicos a exemplo da quitosana, cáscara sagrada e passiflora, entre muitos outros, pode ser realizada sem apresentação de receita médica no Brasil. Isso porque, o Conselho Federal de Medicina brasileiro não reconhece sua eficácia no combate à obesidade, nem efeitos colaterais danosos.

Aparentemente inofensivos, o uso de fitoterápicos divide os médicos. Para o endocrinologista João César Castro Soares, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), eles podem realmente ajudar na perda de peso, se estiverem aliados a um tratamento de reeducação alimentar e uma rotina de exercícios.

Soares cita alguns bem populares.

Faseolamina: feita da farinha branca do feijão branco cru, pode diminuir a absorção de carboidratos.

Quitosana (Tak 500) e carboximetilcelulose: fibras naturais que diminuem a absorção de gordura. Se tomados cinco gramas por dia, mais bastante água, provocam o aumento do volume do estômago, dando a sensação de que houve ingestão de comida, e com isso a sensação de saciedade.

Glucomanan: é um polissacarídeo extraído da raiz do konjac, considerado uma fibra alimentar, que, por não ser absorvido pelo organismo, deve ser ingerido com líquido. Ele também aumenta o volume do estômago, dando a sensação de que houve ingestão de comida. Fica a sensação de saciedade.

Garcinia, gimena silvestre e passiflora (Maracujina): as substâncias extraídas de frutos e transformadas em suplementos diminuem a vontade de comer e a fome.

Castro não recomenda o uso de fitoterápicos como cáscara-sagrada e fucus para emagrecer. O primeiro, como é laxante, deve ser usado apenas em casos de intestino preso. O uso recorrente de ambos pode causar grande perda de água, diarreia e desidratação.

A mesma orientação serve para os diuréticos, como a Cavalinha, contraindicados pelo endocrinologista da Unifesp. Seu uso contínuo pode causar desidratação, queda de pressão e arritmia.

Para o também endocrinologista Marcio Mancini, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a ação dos fitoterápicos no organismo pode ser uma incógnita, pois a pessoa pode não saber exatamente o que está tomando.

- Não há estudos que comprovem a eficácia e segurança no tratamento da obesidade com fitoterápicos. Há um estudo do Instituto Adolpho Lutz que recolheu remédios naturais e constatou que mais da metade deles tem calmantes, hormônios e inibidores de apetite. A pessoa tem que ter muito cuidado antes de tomar essa medicação, pois ela pode tomar algo que não sabe o que é.

Fórmulas manipuladas: enigma do emagrecimento

Mancini chama as fórmulas de emagrecimento manipuladas de "o lado negro da história". Como o nome já diz, são fórmulas feitas com diferentes compostos químicos, indicados ou não por um médico, que podem ter efeito mais potente do que remédios individuais, e também ser mais perigosas pelo desconhecimento de sua composição.

- Hoje o uso de fórmulas manipuladas contendo inibidores de apetite associados a outros remédios laxantes, diuréticos, hormônios é considerado má pratica médica, antiético, passível de punição pelo Conselho Federal de Medicina e proibido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Pelas normas que vetam, se preconiza que o tratamento seja feito com monodroga, ou seja, com uma única medicação, com exceção ao Orlistate que por ter ação só no intestino pode ser associado a sibutramina ou a detilpropiona.

Para João César, há medicamentos que podem ser manipulados, desde que haja conhecimento específico por parte do médico.

- Tem medicamentos que você pode manipular ou não, o problema é o mau uso, quando se mistura com laxantes e diuréticos, afirma.

Por Camila Neumam

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