Fumo e álcool ampliam projeção de câncer de pulmão em mulheres

Fumo e álcool ampliam projeção de câncer de pulmão em mulheres

Atualizado: Sexta-feira, 25 Novembro de 2011 as 8:36

O câncer de mama ainda é o mais incidente na população feminina, mas os casos de tumores malignos no pulmão têm adoecido mais mulheres.

As novas projeções sobre a doença divulgadas nesta quinta-feira (24) mostram que, em 2012, 10.110 pacientes vão receber o diagnóstico da doença pulmonar, um dos tumores mais difíceis de tratar e que, em 90% das ocasiões, acomete as fumantes.

Pelos novos dados, o câncer de pulmão é o terceiro mais frequente em mulheres moradoras da região Sul (uma incidência de 19 casos para 100 mil habitantes), o quarto na região Centro-Oeste (9 casos/100 mil) e o quinto nas regiões Sudeste (11 casos/100 mil hab), Nordeste (6 casos/100 mil hab) e Norte (5 casos/100 mil hab).

Em comparação com as projeções de 9.830 registros de câncer de pulmão em mulheres em 2010 – o Inca divulga as estimativas a cada dois anos – o novo mapeamento para 2012 mostra um aumento de 2,8% da doença.

Já nos homens, o curso foi inverso. Para o próximo ano são esperados 17.210 casos de câncer de pulmão, um declínio de 3,31% quando comparados aos 17.800 calculados para 2010.

Apesar do Inca ressaltar que as estimativas bienais não podem ser comparadas por usarem metodologias diferentes, os dados comparativos feitos pelo Ministério da Saúde endossam que o câncer de pulmão está mais frequentes nelas por culpa da dupla cigarro e álcool.

Na década de 80, 34% dos homens eram fumantes e hoje 20,6% são tabagistas. Já entre elas 12% fumam, sendo que há duas décadas estas estatísticas não chegavam a 5%. Além disso, mostra o estudo do Ministério da Saúde, 10% da população feminina bebe mais de quatro doses alcoólicas quando decide sair para beber, comportamento chamado na literatura especializada de “bebedora pesada”. Em 2006, primeiro ano em que o estudo federal foi realizado, este índice feminino era de 8%.

Entre os homens, este comportamento de beber pesado é mais prevalente, chega a 26%, mas ficou praticamente estável nos anos analisados, sendo que em 2006 eles ponturam 25,8%.

Segundo o diretor da rede de Minas Gerais Oncome, Amandio Soares, o álcool e o cigarro irritam de forma crônica a mucosa da boca, laringe, traquéia, brônquios e pulmões. Além disso, a fumaça e o etanol promovem uma mutação celular que desencadeia os tumores malignos.

Quando a pessoa para de fumar ela, imediatamente, já diminui os riscos de desenvolver câncer, mas a memória negativa nas células provocada pelo tabaco e o etilismo tem duração de 20 anos. “Quanto mais cedo a pessoa elimina estes dois hábitos, maiores ficam as suas chances.” 

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