Genética ocular trata doenças antes delas aparecerem

Genética ocular trata doenças antes delas aparecerem

Atualizado: Segunda-feira, 3 Maio de 2010 as 11:59

Doenças que atingem os olhos, como glaucoma e catarata, já podem ser tratadas antes mesmo de aparecerem. A medicina genética está conseguindo achar a cura antes que as doenças se manifestem, e tem ajudado, principalmente, na cura de problemas hereditários.

Pesquisas feitas pelo Hospital das Clínicas de São Paulo estão ajudando a identificar parentes de pessoas com doenças oculares que têm causas genéticas. Larissa e Leonardo, por exemplo, não escaparam à sina da família: nasceram com glaucoma congênito, uma doença que pode levar à cegueira. Já passaram por várias cirurgias e perderam parte da visão.

"Eu vejo as dificuldades que eu tenho, como na escola quando vou sair para algum lugar, usar transporte público, por exemplo", comenta Larissa Dutra, de 16 anos.

"Eles começaram o tratamento bem cedo, nasceram e já começaram a fazer o tratamento", conta a mãe de Larissa e Leonardo, Dirce Dutra.

Agora, os irmãos foram encaminhados para o ambulatório de genética ocular do Hospital das Clínicas, criado há três meses. A genética ocular está ajudando pacientes a identificar doenças precocemente. Avaliando casos em família e fazendo um estudo dos genes, é possível diagnosticar alguns problemas antes de os sintomas aparecerem.

"Identificando os possíveis novos genes pra doença ou os genes responsáveis pela família, novos testes genéticos podem ser realizados e no futuro, terapia para que essa doença seja tratada", aponta a responsável pelo ambulatório, Simone Finzi.

Na família de Leonardo e Larissa, o trabalho já identificou dois parentes com suspeita de glaucoma.

Quatro mil doenças

Existem cerca de quatro mil doenças hereditárias e os pesquisadores estimam que um terço delas afete os olhos. Metade das causas de cegueira infantil está relacionada a doenças genéticas oculares. Os problemas mais comuns são catarata congênita, glaucoma congênito, retinose pigmentar e alta miopia.

Laura nasceu com Anomalia de Peters, uma má formação de uma parte do olho, que pode estar associada a outros problemas, como glaucoma e catarata. Por isso, foi encaminhada para o ambulatório de genética ocular.

"Para mim era um caso novo. Eu achava que isso só a isolava e que era só ela. Mas não. Foram feitos estudos que dizem que pode vir os irmãos ou até mesmo filhos, eu acho que a gente pode se prevenir", diz a mãe de Laura, Betânia Maria de Lima Silva.

Foi o diagnóstico precoce que ajudou Vagner Domingos Júnior, de 16 anos, a preservar parte da visão: "Foi muito importante. porque se não descobrisse estaria pior do que estaria agora".

O ambulatório de genética ocular do Hospital das Clínicas atende pacientes do próprio hospital ou que foram encaminhados pelas unidades básicas de saúde. E quem tem familiares com problemas de visão deve sempre contar para o médico, para que ele possa avaliar corretamente qual é o tratamento mais indicado.

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