Gostar de música pode ser genético

Gostar de música pode ser genético

Atualizado: Quinta-feira, 17 Março de 2011 as 8:30

Algumas canções são ainda uma maneira de fortalecer laços afetivos, como no caso das canções de ninar cantadas pelos pais. E tocar músicas em conjunto é um trabalho em equipe fenomenal e que não é possível sem uma coesão do grupo que a executa.

Um estudo da Universidade de Helsinki, na Finlândia, procurou observar as bases biológicas da fruição – envolvimento emocional – da música. Para isso, os pesquisadores convidaram mais de 30 famílias (um total de 437 indivíduos), com idades variando entre os 8 e os 93 anos. Entre os membros dessas famílias havia músicos profissionais, amadores e pessoas sem nenhuma educação musical.

A pesquisa, publicada no periódico Journal of Human Genetics, buscou os hábitos de fruição musical entrevistando os participantes e separando a fruição ativa – incluindo escolher o que se ouvia e ir a concertos musicais – e passiva ¬– ouvir as músicas em ambientes diversos, mas sem controle sobre as obras reproduzidas. Os indivíduos também foram testados para aptidões musicais e fizeram testes genéticos.

Em média, observou-se que os participantes ouviam aproximadamente 4,5 horas de música ativamente durante a semana, enquanto a fruição passiva chegava a mais de 7 horas semanais. Quanto maior o nível de educação musical, maior o tempo de fruição ativa da música. Já o nível acadêmico não pareceu influenciar os dados. E as variantes genéticas familiares também mostraram que os indivíduos aparentados compartilhavam aptidões musicais.

Irma Järvelä, principal autora do estudo, indica também que uma variável genética (a chamada AVPR1A) pode ser o principal fator para definir o nível de aptidão musical e, portanto, o quanto um indivíduo é sensível à música. Os resultados da pesquisa, sugere Järvelä, apontam para o fato de que se interessar por música pode ter bases moleculares e genéticas.

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