Holanda cria técnica contra superbactéria

Holanda cria técnica contra superbactéria

Atualizado: Segunda-feira, 8 Novembro de 2010 as 9:03

Quando alemães chegam aos hospitais holandeses, surpreendem-se ao saber que serão colocados em quarentena. Médicos só se aproximarão depois de vestirem jalecos, luvas e máscaras. Na Holanda, alemães e moradores de outros países são considerados um risco de infecção - isso porque há um crescimento nos hospitais das bactérias resistentes a quase todos os antibióticos.

Uma delas, a superbactéria MRSA (sigla em inglês para Staphyloccus aureus), resistente à meticilina, tornou-se quase comum nos hospitais, onde infecta em média 1 em cada 70 pacientes nas unidades de terapia intensiva. Bactérias como essas produzem uma enzima que pode destruir a penicilina, a cefalosporina e outros antibióticos.

Apenas na Alemanha, segundo o Instituto Robert Koch, encarregado do controle e da prevenção de doenças, há pelo menos quatro mortes diárias decorrentes de infecções contraídas em hospitais que poderiam ser evitadas.

Para piorar, as empresas farmacêuticas não estão desenvolvendo novos antibióticos - como eles devem ser usados moderadamente para evitar a aceleração do surgimento de cepas resistentes, fabricantes têm pouco incentivo para investir no seu desenvolvimento. A Organização Mundial da Saúde alerta que, se não descobrirmos novas formas de combater infecções, poderemos viver uma "era pós-antibiótica", na qual bactérias não serão mais combatidas.

Apesar de esse ser o pior dos cenários, estudos e projetos sugerem que bactérias podem, sim, ser eliminadas. Mas é preciso uma estratégia específica. "É preciso conscientizar o público", diz Petra Gastmeier, do Hospital Charité, em Berlim. "Caso contrário, um médico que trabalhe num hospital por cinco anos pode achar que um nível alto de infecções é normal."

Um exemplo tem sido a técnica holandesa de "busca e destruição": todo paciente considerado de risco - que tenha estado num hospital, por exemplo - fica em quarentena até que o resultado de um teste da mucosa nasal indique a ausência de bactéria. Os portadores ficam isolados e são tratados até que o patógeno não seja mais detectado.

"Procurar pela bactéria e atacá-la até destruí-la é nossa única chance", diz Alexander Friedrich, do Hospital UKM em Münster. Ele acredita que a estratégia de busca e destruição deve servir como modelo para o mundo.

"Há pouquíssimos especialistas na área", diz Winfried Kern, da Universidade de Freiburg. "Médicos continuam a usar antibióticos da mesma maneira que foram ensinados a fazer." De acordo com Ulrich Hartenauer, do Hospital EVK, de Münster, é preciso controlar e evitar a "profilaxia antibiótica pré-operatória", usada para garantir que bactérias que entrem numa incisão cirúrgica sejam exterminadas. "É preciso dizer que não fazemos mais este tipo de coisa." / DER SPIEGEL. TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

PARA LEMBRAR

No Brasil, para evitar a disseminação de bactérias multirresistentes pouco frequentes nas instituições de saúde, em especial a KPC, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou isolar pacientes. A nota técnica, elaborada após reunião com inectologistas e divulgada no dia 25, ressalta a necessidade de evitar qualquer medida que induza à discriminação do paciente, mas orienta o hospital a avaliar a necessidade de reservar tanto material quanto profissionais para tratar exclusivamente de pessoas infectadas.

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