Hospital do Coração lança área de Cirurgia de Cabeça e Pescoço

Hospital do Coração lança área de Cirurgia de Cabeça e Pescoço

Atualizado: Quarta-feira, 12 Maio de 2010 as 9:07

O HCor - Hospital do Coração, em São Paulo acaba de lançar o Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço com uma equipe multidisciplinar composta por especialistas de cabeça e pescoço, endocrinologistas, otorrinolaringologista e cirurgiões plásticos. Com o objetivo de atender os pacientes com as doenças que acometem os órgãos localizados na região da face e do pescoço como o tratamento cirúrgico dos nódulos tireoideanos, tumores das glândulas salivares e dos tumores da cavidade oral, faringe e laringe, o HCor será responsável pelo diagnóstico preventivo, exames laboratoriais e de imagem, e contará com todo know-how, infra-estrutura e suporte do centro cirúrgico da Instituição.

Apesar de ser uma especialidade eminentemente oncológica, o cirurgião de cabeça e pescoço trata também de doenças benignas como os bócios (aumento benigno da tireóide) e as anomalias congênitas cervicais. A especialidade, relativamente nova em relação às demais especialidades médicas, estabeleceu-se de forma definitiva no Brasil há pouco mais de 40 anos com a fundação da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, em 1967.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA - RJ), o câncer de boca é o oitavo tipo de câncer mais comum no Brasil, sendo o sexto tipo mais frequente nos homens. Para este ano estima-se o aparecimento de 14.120 novos casos de câncer da cavidade oral, sendo 10.330 em homens e 3.790 em mulheres. Diferente do câncer de tireóide, o câncer de boca é uma doença muito agressiva com alto índice de mortalidade, sendo que em 2008 foram registradas 6.214 mortes por esta doença no país. No Brasil, o câncer de tireóide correspondeu a 1,3% de todos os casos de câncer registrados no INCA – RJ de 1994 a 1998, e a 6,4% de todos os cânceres da cabeça e pescoço. A partir de 1997, a incidência de câncer de tireóide aumenta 6% ao ano em diversas regiões do mundo.

Uma das explicações para esse fato é o aumento da detecção de nódulos tireoideanos pequenos por meio da ultrassonografia (USG) de alta resolução. Segundo dados do National Cancer Institute, cerca de 37.000 novos casos de câncer de tireóide são diagnosticados anualmente nos Estados Unidos. A American Cancer Society coloca o câncer de tireóide como responsável por 4% dos casos novos de câncer em mulheres nos EUA em 2009, o que representa 28.530 mulheres diagnosticadas como portadoras da doença.

"O câncer de tireóide ocorre em qualquer idade, porém é mais comum após os 30 anos, sendo mais frequente no sexo feminino na relação de 3:1. Os únicos fatores de risco conhecidos são a exposição a irradiação no pescoço e o antecedente de câncer de tireóide na família. O tipo mais frequente de câncer de tireóide é o carcinoma papilífero com aproximadamente 80% dos casos, seguido do carcinoma folicular com 15% dos casos. Nos pacientes com menos de 45 anos de idade com tumores pequenos, mais de 97% dos carcinomas de tireóide são curáveis", explica o Dr. Fábio Roberto Pinto, responsável pelo Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do HCor.

Segundo o especialista do HCor, a cirurgia mais comum realizada pelo cirurgião de cabeça e pescoço é a tireoidectomia (retirada parcial ou total da glândula tireóide) seja por doença benigna ou maligna da tireóide. "Além do câncer de tireóide, outro tumor frequente na rotina do cirurgião de cabeça e pescoço é o câncer da boca que inclui os cânceres de lábio e de cavidade oral (mucosa bucal, gengivas, palato duro, língua oral e assoalho da boca). O câncer de lábio é mais comum em pessoas brancas, e registra maior ocorrência no lábio inferior em relação ao superior", esclarece.

Câncer de boca:

O principal sintoma do paciente portador de câncer de boca é a presença de um machucado, afta ou úlcera na boca que não cicatriza. Qualquer ferimento oral que não cicatrize em até 3 semanas deve obrigatoriamente ser biopsiado principalmente se o paciente for tabagista e/ou etilista. A presença de gânglios aumentados no pescoço em função da disseminação da doença para os linfonodos também pode ser um dos sintomas.

O tratamento para a maioria dos casos é a cirurgia que envolve a ressecção do tumor geralmente associada à retirada dos gânglios cervicais possivelmente acometidos. No pós-operatório muitos pacientes necessitam de radioterapia complementar e, eventualmente, quimioterapia. Quanto mais tardio o diagnóstico, mais avançada estará a doença e maiores sequelas serão proporcionadas pelo tratamento.

"O conhecimento da existência da doença e seus sintomas é a chave para o diagnóstico precoce, tratamentos menos agressivos e melhor prognóstico. Além disso, o abandono do tabagismo e a redução de ingestão de bebidas alcoólicas podem prevenir o surgimento da doença assim como de outros tumores ou complicações clínicas associadas ao cigarro e ao álcool", explica Dr. Fábio.

Câncer de tireóide:

A glândula tireóide é uma glândula endócrina localizada na região anterior baixa do pescoço, que produz os hormônios T3 e T4 - responsáveis pelo metabolismo do organismo. O principal sinal do câncer de tireóide é a presença de um nódulo indolor na tireóide detectado à palpação ou pela ultra-sonografia, que não altera os níveis sanguíneos dos hormônios tireoideanos.

A presença de nódulos tireoideanos detectados pela ultra-sonografia (USG) de rotina é comum, principalmente em mulheres. Felizmente, de 95% a 99% desses nódulos são benignos. De acordo com a suspeita clínica ou pelos achados no USG, o especialista solicita a punção biópsia aspirativa do nódulo a qual determina se o nódulo é suspeito para malignidade.

O câncer de tireóide ocorre em qualquer idade, sendo mais comum após os 30 anos. O tratamento oncologicamente mais adequado para o câncer de tireóide é a tireoidectomia total (retirada completa da tireóide) associada eventualmente à retirada de gânglios linfáticos do pescoço que estejam comprometidos pela doença.

"Quando realizada por cirurgião especialista, o risco de complicações mais sérias decorrentes desta cirurgia, como a rouquidão permanente, é menor do que 1% dos casos. Após a cirurgia, alguns pacientes deverão receber um tratamento complementar com iodo radioativo e a indicação desse tratamento depende da análise em conjunto de uma série de fatores como idade, tamanho do tumor, agressividade local do tumor entre outros fatores", finaliza o especialista do HCor.

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